As bolsas para estudar em Portugal que brasileiros conseguem com mais frequência são de três tipos: descontos e bolsas de mérito das próprias universidades, bolsas integrais de mestrado do programa europeu Erasmus Mundus e bolsas de doutoramento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), que em 2026 pagam €1.359,64 por mês a quem pesquisa em Portugal, segundo a tabela oficial da FCT. Para quem já faz doutorado no Brasil, a CAPES também financia estadas em universidades portuguesas.
O desafio real não é a falta de bolsas, mas saber quais se aplicam ao seu nível de estudo e ao seu perfil. Por isso, vale entender quando se candidatar a cada uma e que documentos preparar com antecedência.
O que você precisa entender antes de buscar bolsas para estudar em Portugal
A primeira coisa a saber é que as bolsas para estudar em Portugal estão espalhadas. Não existe um portal único: as fontes são o governo português, fundações, programas europeus, as próprias universidades e agências brasileiras, cada uma com prazos, critérios e valores próprios.
O segundo ponto é como a universidade classifica o brasileiro. Sem nacionalidade portuguesa ou de outro país da União Europeia, o brasileiro costuma entrar como estudante internacional, que paga propinas mais altas do que as dos estudantes nacionais. Algumas instituições reduzem esse valor para estudantes de países da CPLP; é preciso conferir no regulamento de cada uma.
Há também um aspecto prático: muitas bolsas universitárias cobrem apenas as propinas (as anuidades), e não o custo de vida. Por isso, planejar o orçamento da estada inteira é tão importante quanto conseguir a bolsa.
Quanto custam as propinas em Portugal em 2026?
Nas universidades públicas, a propina máxima de licenciatura para estudantes nacionais é de €697 por ano. Esse valor continua congelado em 2026/2027, depois de uma votação no Orçamento do Estado para 2026, segundo a RTP. Mestrados, doutoramentos e o ensino privado têm valores fixados por cada instituição.
Para estudantes internacionais, cada universidade fixa a sua própria propina. Na Universidade de Lisboa, por exemplo, as propinas de licenciatura para estudante internacional variam de faculdade para faculdade, segundo a deliberação oficial da universidade. É nessa diferença que os descontos e as bolsas de mérito pesam mais.
Bolsas CPLP: o desconto que muitos brasileiros desconhecem ao estudar em Portugal
Algumas universidades portuguesas reduzem a propina de estudante internacional para nacionais dos países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), como o Brasil. Não existe uma regra nacional única: cada instituição decide se oferece a redução, em quais cursos e em que percentagem.
Por isso, antes de se candidatar, procure no site da universidade o regulamento de propinas do estudante internacional e confira se há redução para a CPLP, quais os requisitos e se é preciso pedir o benefício na candidatura ou na matrícula.
Bolsa por mérito acadêmico nas universidades
Além dos descontos, várias universidades oferecem bolsas por desempenho. No 1.º ano, a análise costuma usar a nota de ingresso (como o ENEM, nas instituições que o aceitam); nos anos seguintes, a média obtida no próprio curso. Os critérios, os percentuais e a possibilidade de acumular com outros descontos variam de instituição para instituição e estão nos regulamentos de cada uma.
Erasmus Mundus: bolsa integral para quem quer estudar em Portugal no mestrado
Para quem está na fase de mestrado, o Erasmus Mundus Joint Masters é a bolsa mais completa disponível para brasileiros. Cada mestrado é organizado por um consórcio de pelo menos três instituições de três países diferentes, e o estudante passa por mais de um país durante o curso, segundo a Comissão Europeia.
O programa é aberto a estudantes de todo o mundo, e as bolsas atribuídas aos candidatos mais bem classificados cobrem os custos de participação, a viagem, o visto e um subsídio mensal de manutenção. Os cursos duram de 1 a 2 anos letivos (60, 90 ou 120 ECTS).
Requisitos gerais do Erasmus Mundus
Segundo a Comissão Europeia, é preciso ter diploma de graduação, ou estar no último ano, e concluí-lo antes do início do mestrado. Cada consórcio define os demais requisitos, como a proficiência em inglês e a área de formação. As candidaturas costumam abrir entre outubro e janeiro, para cursos que começam no ano letivo seguinte, e são feitas diretamente no site de cada mestrado.
Uma limitação prática: como o curso passa por vários países, só uma parte dele acontece em Portugal. Se o objetivo é estudar em Portugal durante todo o mestrado, o Erasmus Mundus pode não ser o caminho mais direto.
Erasmus+ para quem já estuda em Portugal
O programa Erasmus+ de mobilidade é diferente do Erasmus Mundus. Para quem já está matriculado numa universidade portuguesa, ele abre a possibilidade de passar um ou dois semestres noutra universidade europeia com apoio financeiro. A elegibilidade depende da matrícula e das vagas da instituição de origem, e não da nacionalidade.
FCT: bolsa pública portuguesa para fazer doutorado em Portugal
A Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) é o organismo público português que financia a ciência, algo próximo do papel da CAPES e do CNPq no Brasil. O concurso anual de bolsas de doutoramento é a principal via de financiamento público para quem quer fazer pesquisa em Portugal.
Pela tabela da FCT com efeitos a 1 de janeiro de 2026, o subsídio mensal de manutenção da Bolsa de Doutoramento (BD) é de €1.359,64 em Portugal e €2.168,65 no estrangeiro. As Bolsas de Investigação (BI) têm valores por grau: €1.090,98 para licenciado e €1.359,64 para mestre, em Portugal. Os valores são atualizados periodicamente, e o regulamento de bolsas da FCT prevê outros componentes além do subsídio mensal.
O concurso de 2026 abriu 1.600 bolsas de doutoramento, com um investimento de cerca de 145 milhões de euros, e recebeu candidaturas de 2 a 31 de março de 2026, segundo a nota de imprensa da FCT. Nos resultados provisórios, foram admitidas 4.423 das 4.461 candidaturas, e a taxa global de aprovação foi de 36%, segundo a própria FCT. É uma seleção competitiva.
Quem pode se candidatar às bolsas FCT?
Os concursos da FCT admitem candidatos de várias nacionalidades, incluindo nacionais de países terceiros, como o Brasil. As regras de residência variam conforme o plano de trabalho: planos feitos em parte ou totalmente fora de Portugal costumam ter exigências próprias para estrangeiros. Confira as condições no aviso de abertura de cada ano, em fct.pt.
A candidatura pede documentos de identificação, formação e experiência, carta de motivação, cartas de recomendação e o currículo atualizado na plataforma CIÊNCIAVITAE. A avaliação considera o mérito do candidato, a qualidade do plano de trabalho e as condições da instituição de acolhimento; o plano de trabalho pesa muito no resultado.
CAPES e CNPq: financiamento brasileiro para estudar em Portugal
Os dois órgãos federais brasileiros de fomento à pesquisa, CAPES e CNPq, também financiam estudos em Portugal. Esses caminhos interessam sobretudo a quem já faz pós-graduação no Brasil e quer passar um período numa universidade portuguesa.
Doutorado Sanduíche pela CAPES (PDSE)
O Programa de Doutorado Sanduíche no Exterior (PDSE) financia uma estada de alguns meses numa universidade estrangeira, com mensalidade, auxílio de deslocamento, auxílio de instalação e auxílio para seguro-saúde. Portugal é um destino frequente pela facilidade do idioma.
Para concorrer, o estudante precisa estar matriculado num doutorado no Brasil, em programa com a nota mínima exigida pela CAPES, e ter cumprido a etapa inicial do curso prevista no edital. A duração da estada, os requisitos e o calendário mudam a cada edital; consulte o edital vigente no site da CAPES e a seleção interna do seu programa.
Programa FCT-CAPES: cooperação bilateral
A FCT e a CAPES mantêm cooperação bilateral para financiar projetos conjuntos de pesquisa entre instituições dos dois países. Nesses projetos, a participação de estudantes depende dos editais e da equipe de pesquisa envolvida, por isso vale conversar com o orientador no Brasil ou em Portugal.
Fundações de Amparo à Pesquisa Estaduais (FAPs)
Além dos órgãos federais, as fundações estaduais de amparo à pesquisa, como a FAPESP e a FAPERJ, podem financiar estágios de pesquisa no exterior. As oportunidades variam por estado e por período, então verifique os editais vigentes no site de cada fundação.
Fundação Calouste Gulbenkian e Santander Universidades
Duas outras fontes de bolsas para estudar em Portugal merecem atenção:
Fundação Calouste Gulbenkian
A Fundação Calouste Gulbenkian, sediada em Lisboa, abre programas de bolsas para estudantes, investigadores e artistas, com áreas, valores e públicos que mudam a cada edição. Consulte os programas abertos em gulbenkian.pt.
Santander Universidades
O Santander mantém programas de bolsas de mobilidade, como as Bolsas Ibero-Americanas, distribuídas por meio de universidades parceiras. Quem estuda numa universidade brasileira conveniada pode usar essas bolsas para um período de intercâmbio em Portugal. As modalidades mudam a cada ano; confira no site oficial do programa e na sua universidade.
O Visto D4: o documento indispensável para estudar em Portugal
Qualquer que seja a bolsa, estudar em Portugal por mais de 90 dias exige visto para quem não tem nacionalidade europeia. Para cursos de mais de um ano, o visto é o de residência para estudo (D4, art. 62.º da Lei n.º 23/2007); para estadas de 90 dias até um ano, o de estada temporária. Depois da chegada com o D4, o estudante pede a autorização de residência à AIMA, que substituiu o SEF em 29 de outubro de 2023.
Os requisitos e o passo a passo estão no artigo sobre o visto D4 Portugal 2026.
Mudança importante em 2026: presencialidade obrigatória
Desde 2026, os pedidos de visto para Portugal feitos no Brasil são entregues presencialmente nos centros da VFS Global, com agendamento, e deixaram de ser aceitos por correio, segundo o anúncio do Ministério dos Negócios Estrangeiros noticiado pela RTP. Na prática, é preciso levar toda a documentação pronta no dia do atendimento.
Pela lista da VFS Global no Brasil, os documentos principais são: formulário de visto nacional, duas fotografias, passaporte válido por pelo menos três meses além da estada prevista, carta de aceitação ou comprovante de matrícula em instituição oficialmente reconhecida, certidão de antecedentes criminais da Polícia Federal com Apostila de Haia, seguro de viagem com cobertura médica ou o certificado PB4 e, quando aplicável, prova de meios de subsistência.
O consulado tem 60 dias para decidir o pedido de visto de residência (art. 58.º da Lei 23/2007). Por isso, comece o processo com bastante antecedência em relação ao início do curso.
Vantagem para estudantes de países da CPLP no visto
A mesma lista da VFS indica duas dispensas relevantes para bolsistas brasileiros: estudantes beneficiários de bolsa de estudo ficam dispensados de provar meios de subsistência, e cidadãos da CPLP ficam dispensados do seguro, da passagem de volta e dos meios de subsistência. Como a lista pode mudar, confirme essas dispensas no momento do agendamento.
Passo a passo: como se candidatar a bolsas para estudar em Portugal
O processo varia por tipo de bolsa, mas a sequência abaixo serve como roteiro geral:
- Defina o nível de estudo: graduação, mestrado ou doutorado. As bolsas disponíveis são muito diferentes para cada nível.
- Escolha a universidade e o curso: verifique no regulamento da instituição se há redução para a CPLP ou bolsa de mérito, e em que condições.
- Candidate-se à vaga: sem a carta de aceitação, não é possível pedir o visto, e muitas bolsas também exigem a admissão.
- Pesquise bolsas externas compatíveis: FCT (doutoramento), CAPES-PDSE (doutorado sanduíche), Erasmus Mundus (mestrado), Fundação Gulbenkian e Santander. Muitas abrem uma vez por ano, em datas fixas.
- Organize a documentação com antecedência: currículo, histórico escolar, carta de motivação, cartas de recomendação, comprovante de inglês (quando exigido) e certidões brasileiras apostiladas.
- Peça o visto: com a carta de aceitação em mãos, agende o atendimento presencial na VFS Global e leve todos os documentos da lista vigente.
- Já em Portugal: peça a autorização de residência na AIMA e acompanhe os concursos da FCT e das universidades para os anos seguintes.
O que pode dar errado ao buscar bolsas para estudar em Portugal — e como evitar
Conhecer os erros mais comuns poupa tempo e dinheiro. Veja os principais:
- Candidatar-se tarde demais: o concurso de doutoramento da FCT, por exemplo, recebeu candidaturas só de 2 a 31 de março de 2026. Perdido o prazo, a próxima chance costuma ser no ano seguinte.
- Não perguntar sobre a CPLP: quando a universidade prevê redução para a CPLP, pode ser preciso pedi-la expressamente. Pergunte na candidatura ou na matrícula.
- Documentação inconsistente no visto: uma certidão com grafia diferente do passaporte, por exemplo, pode atrasar o pedido. Confira os dados antes do atendimento.
- Tentar acumular bolsas: muitos programas não permitem acumular benefícios. Leia as regras de cada um antes de se candidatar a mais de uma bolsa.
- Não ter plano B financeiro: bolsas parciais cobrem propinas, mas não o custo de vida. Calcule alojamento, alimentação e transporte na cidade escolhida.
- Subestimar a concorrência da FCT: com aprovação de 36% em 2026, um plano de trabalho fraco dificilmente é compensado por um bom currículo.
Cidadania portuguesa: um caminho que muda tudo para quem quer estudar em Portugal
Uma informação altera o cálculo para quem quer estudar em Portugal: quem tem cidadania portuguesa é tratado como estudante nacional, e não como estudante internacional. Na prática:
- paga a propina de estudante nacional, com teto de €697 por ano nas licenciaturas públicas em 2025/2026 e 2026/2027;
- pode concorrer às bolsas de ação social do ensino superior, atribuídas conforme a renda familiar;
- participa do Erasmus+ nas mesmas condições dos colegas europeus da sua universidade;
- dispensa o visto: o passaporte português basta para viver e estudar em Portugal e em qualquer país da União Europeia.
Filhos de português podem pedir a cidadania portuguesa para filho sem morar em Portugal; o serviço estima de 4 a 8 meses para filho maior. Netos também têm direito, com os requisitos que a Lei Orgânica n.º 1/2026 passou a exigir, como o conhecimento da língua e da cultura portuguesas; veja o serviço de cidadania para neto de português, com estimativa de 30 a 40 meses para neto maior. Bisnetos não têm atribuição direta.
Para uma primeira avaliação, faça o teste gratuito de elegibilidade. E se quiser entender como estudar em Portugal usando a nota do ENEM, leia o guia sobre estudar em Portugal pelo ENEM; as diferenças de propina e de ingresso estão no artigo sobre faculdade em Portugal com dupla cidadania.
Perguntas Frequentes sobre Bolsas para Estudar em Portugal
Brasileiro pode conseguir bolsa integral para estudar em Portugal?
Sim, mas é mais comum na pós-graduação: no mestrado, o Erasmus Mundus cobre custos de participação, viagem, visto e um subsídio mensal, com passagem por mais de um país; no doutoramento, a bolsa da FCT paga €1.359,64 por mês em Portugal em 2026; na graduação, o mais comum são reduções de propina e bolsas de mérito definidas por cada universidade.
O que é a bolsa CPLP e como brasileiros se candidatam?
É uma redução da propina de estudante internacional que algumas universidades portuguesas concedem a nacionais dos países da CPLP, como o Brasil; não há regra nacional, e cada instituição define se oferece a redução, em que cursos, em que percentagem e se ela precisa ser pedida na candidatura ou na matrícula.
Preciso do Visto D4 mesmo que tenha bolsa de estudos em Portugal?
Sim, se o curso durar mais de um ano e você não tiver nacionalidade europeia; a bolsa não dispensa o visto, mas, pela lista da VFS Global no Brasil, dispensa a prova de meios de subsistência, e o pedido é entregue presencialmente num centro da VFS, com agendamento.
É possível trabalhar enquanto estuda em Portugal com Visto D4?
Sim: com a autorização de residência para estudo, o estudante pode trabalhar de forma complementar aos estudos, sem limite de horas e sem comunicação prévia à AIMA, pelo art. 97.º da Lei 23/2007 na redação da Lei 18/2022; as regras da própria bolsa, porém, podem limitar outras atividades remuneradas.
Qual é o melhor caminho para um brasileiro fazer doutorado em Portugal com financiamento?
Há três caminhos principais: a bolsa de doutoramento da FCT, com concurso anual (em 2026, candidaturas de 2 a 31 de março e aprovação de 36%); o doutorado sanduíche da CAPES (PDSE), para quem já é doutorando no Brasil; e as vagas de bolseiro abertas em projetos de pesquisa financiados em Portugal, que exigem contato com um orientador e grupo de pesquisa.
Ter cidadania portuguesa muda o acesso a bolsas em Portugal?
Muda bastante: com a nacionalidade portuguesa, você paga a propina de estudante nacional (teto de €697 por ano nas licenciaturas públicas, mantido em 2026/2027), pode concorrer às bolsas de ação social e dispensa o visto de estudante; filhos e netos de português podem ter direito, e o teste gratuito de elegibilidade em /teste-de-cidadania é um bom primeiro passo.
Quais documentos são geralmente exigidos para candidatar a bolsas em Portugal?
Variam por programa, mas a lista comum inclui passaporte, diploma e histórico escolar, carta de motivação, cartas de recomendação, currículo (na plataforma CIÊNCIAVITAE, no caso da FCT), comprovante de inglês quando exigido e carta de aceitação ou de orientador; para o visto, entra também a certidão de antecedentes criminais da Polícia Federal com apostila.
Próximo passo: planejamento migratório completo
Os detalhes do seu perfil mudam a estratégia. O estudante com ascendência portuguesa que obtém a cidadania antes de se candidatar dispensa o visto e paga propina de estudante nacional. Já o doutorando no Brasil que não conhece o PDSE pode estar deixando de lado um financiamento disponível.
Cada caso tem suas particularidades — começa por uma análise honesta. Se quiser entender o melhor caminho para o seu perfil, seja pela bolsa, pelo visto de estudante D4 ou pela cidadania, fale com um especialista ou monte um orçamento sem compromisso.






