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Processos contra a AIMA: Governo propõe levar ações a tribunais de todo o país

Processos contra a AIMA: Governo propõe levar ações a tribunais de todo o país
Dr. Wladinei Munhoz
Artigo deDr. Wladinei Munhoz

Advogado inscrito nas OABs: SP-232.306, BA-30.611, SE-651/A, MT-36.411/A e na Ordem dos Advogados de Portugal (cédula nº 67514P). Especialista em cidadania portuguesa e direito de imigração para Portugal, atua há mais de 20 anos assessorando brasileiros em processos de nacionalidade, vistos de residência e regularização documental. Integra a equipe jurídica da Cidadania e Visto. Assessoria referência no segmento, com mais de 5.000 processos concluídos e avaliação 5,0 estrelas no Google.

Os processos contra a AIMA podem deixar de ficar concentrados em Lisboa: em 23 de julho de 2026, o Conselho de Ministros aprovou uma proposta de lei para que as intimações contra a AIMA (Agência para a Integração, Migrações e Asilo) sejam julgadas conforme a sede ou a residência do requerente, segundo o Observador. Em outubro de 2025, o Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa tinha mais de 133 mil processos da AIMA pendentes. A medida depende da aprovação da Assembleia da República.

Atualização de setembro de 2026: até a data desta revisão, não localizamos a publicação dessa mudança no Diário da República. Enquanto ela não for publicada, valem as regras atuais.

Por que todos os processos contra a AIMA estavam concentrados em Lisboa?

Pela regra atual, a ação corre no tribunal administrativo da área da sede da entidade demandada. A AIMA tem sede em Lisboa. Por isso, as intimações contra a agência, fosse onde fosse que o requerente morasse, iam para o Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa.

Com os atrasos da AIMA, esse tribunal passou a receber milhares de ações. Em outubro de 2025, eram mais de 133 mil processos da AIMA pendentes, segundo o ECO e a RTP.

Para quem morava no Porto, em Braga, em Coimbra ou no Algarve, o resultado era o mesmo: uma ação sobre a própria vida local corria em Lisboa. Isso pesa nos custos e na distância entre o requerente e o tribunal.

Descentralização dos processos contra a AIMA: o que o governo decidiu em julho de 2026

Na conferência de imprensa do Conselho de Ministros, a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, disse que o governo vai "definir um novo critério de competência territorial para as intimações contra a AIMA", segundo a Sábado. Pela proposta, a ação passa a ser feita de acordo com a sede ou a residência do requerente.

Na prática, um brasileiro que mora no Porto poderia acionar a AIMA no tribunal administrativo da sua área, em vez de ir para Lisboa.

No mesmo Conselho de Ministros, o governo aprovou a criação de juízos especializados em imigração e proteção internacional, com o objetivo de reduzir as pendências, segundo a Renascença. A Sábado registrou dúvidas constitucionais sobre esses juízos. Veja mais em juízos especializados em imigração.

Um ponto de atenção: a proposta integra uma reforma mais ampla da justiça administrativa e fiscal e precisa passar pela Assembleia da República. Não há data para entrar em vigor.

Que tipos de ação são esses processos contra a AIMA?

Antes de avaliar o impacto da mudança, vale entender o que são essas ações. Os chamados processos AIMA são, na maioria, intimações para proteção de direitos, liberdades e garantias: ações urgentes em que o estrangeiro pede ao tribunal que obrigue a AIMA a agir, por exemplo, marcando um atendimento ou decidindo um pedido parado.

Elas envolvem situações diferentes, como reagrupamento familiar, emissão de títulos de residência e pedidos de regularização.

Para brasileiros com visto D7 ou D8 já emitido, os casos mais comuns são:

  • Demora ou falta de marcação para o atendimento do pedido de autorização de residência;
  • Falta de decisão depois de passado o prazo legal de análise;
  • Reagrupamento familiar parado sem resposta;
  • Renovação do título de residência sem decisão no prazo.

São esses os cenários em que a via judicial pode ser necessária e em que a descentralização faria diferença. Para acompanhar o pedido antes de chegar a esse ponto, veja como rastrear o seu processo AIMA online.

Descentralização AIMA: por que essa mudança nos processos demorou tanto?

A ideia não é nova. A Iniciativa Liberal (IL) apresentou um projeto de lei com a mesma descentralização, que o parlamento rejeitou em fevereiro de 2026. O projeto teve parecer desfavorável do Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais (CSTAF), que via o risco de espalhar o problema pelo país, e a oposição do PSD e do CDS-PP, segundo o Observador e a Sábado.

Ou seja, os partidos que votaram contra em fevereiro agora apoiam uma proposta equivalente, desta vez vinda do governo e dentro de uma reforma mais ampla da justiça administrativa.

Medidas paliativas adotadas enquanto isso

Entretanto, as regras das ações mudaram. Desde 23 de outubro de 2025, quem entra com a ação precisa comprovar a urgência e pagar custas, que rondam em média 600 euros. Com isso, a entrada de novos processos caiu 78%: de 11.724 em outubro para 2.582 em janeiro, segundo dados do CSTAF publicados pelo DN.

Ainda assim, o mesmo levantamento apontava mais de 100 mil processos pendentes em fevereiro de 2026, o que levou a medidas extraordinárias, como o reforço de juízes.

Para ver como essas medidas afetaram os processos em andamento, leia a análise sobre a task force e o atraso dos processos da AIMA.

O que muda na prática para brasileiros com processos contra a AIMA pendentes

Se você está em Portugal com visto D7 ou D8 e enfrenta demora da AIMA para marcar atendimento, emitir o título ou decidir um reagrupamento familiar, eis o que considerar agora:

Antes da aprovação parlamentar

A medida ainda não é lei. Enquanto não for aprovada e publicada, valem as regras atuais: as intimações contra a AIMA continuam indo para Lisboa. Se o prazo legal do seu pedido já passou, não é preciso esperar a mudança para agir.

Após a aprovação

Se o parlamento aprovar a proposta, a ação poderá correr no tribunal administrativo da área onde você mora. Isso tende a facilitar o acompanhamento. O efeito real nos prazos dependerá de como a lei for aplicada e do volume de processos em cada tribunal.

Antes de entrar com qualquer ação

A via judicial não é o primeiro passo, e sim o último recurso. O caminho recomendado é:

  1. Verifique a situação do pedido no portal da AIMA: muitos casos se resolvem com um documento complementar ou a atualização de dados;
  2. Peça formalmente à AIMA a decisão, por escrito, registando que o prazo legal passou;
  3. Consulte um advogado inscrito na Ordem dos Advogados portuguesa para avaliar se a ação é viável e quanto vai custar (as custas rondam em média 600 euros, segundo o CSTAF);
  4. Entre com a intimação no tribunal competente, pela regra territorial em vigor na data.

Os prazos legais de decisão da AIMA estão explicados em o que esperar sobre prazos do título de residência da AIMA em 2026.

O impacto da descentralização dos processos AIMA e a diretiva europeia de 90 dias

Há também uma pressão europeia. A Diretiva (UE) 2024/1233, sobre a autorização única de residência e trabalho, fixa em regra 90 dias para a decisão desses pedidos e tinha de ser transposta até maio de 2026. Portugal fez essa transposição com a Lei n.º 62/2026, em vigor desde 11 de setembro de 2026.

A mesma lei fixou em 90 dias, prorrogáveis por 30 em casos excecionais, o prazo para a AIMA decidir os pedidos de autorização de residência (art. 82.º, n.º 5, da Lei n.º 23/2007) e acabou com a aprovação automática das renovações sem decisão no prazo. Com prazos mais exigentes para a AIMA e tribunais ainda congestionados, a forma de levar esses atrasos à Justiça ganha peso.

Para quem tem processo pendente, isso reforça a importância de acompanhar as mudanças. O que vale hoje pode mudar em semanas, abrindo ou fechando caminhos.

Perguntas Frequentes sobre processos contra AIMA e descentralização

O que são os chamados "processos contra a AIMA"?

São, na maioria, intimações para proteção de direitos, liberdades e garantias, ações urgentes em que imigrantes pedem ao tribunal que obrigue a AIMA a cumprir a lei, por exemplo marcando um atendimento, decidindo um pedido de residência ou um reagrupamento familiar, e pela regra atual elas correm no Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa, onde fica a sede da agência.

A descentralização dos processos contra a AIMA já está valendo?

Não: o Conselho de Ministros aprovou a proposta em 23 de julho de 2026, mas ela precisa ser aprovada pela Assembleia da República e publicada no Diário da República, o que não localizamos até setembro de 2026, então as ações contra a AIMA continuam indo para Lisboa.

Qual é o custo para entrar com ação judicial contra a AIMA?

Desde 23 de outubro de 2025, essas ações deixaram de ser gratuitas e exigem prova de urgência, com custas que rondam em média 600 euros segundo o CSTAF (dados publicados pelo DN), às quais se somam os honorários do advogado, então confirme o valor do seu caso antes de decidir.

Tenho visto D7 emitido, mas a AIMA não agenda minha entrevista de residência. O que fazer?

Comece pela via administrativa, conferindo o pedido no portal da AIMA, atualizando os dados e pedindo por escrito a marcação dentro dos quatro meses de validade do visto, e se a situação persistir avalie com um advogado inscrito em Portugal a intimação no tribunal administrativo, que tem custas e exige prova de urgência.

A criação de juízos especializados em imigração vai acelerar meu processo?

Ainda não é possível dizer: o governo aprovou a criação desses juízos em julho de 2026 para reduzir as pendências, mas a medida depende de lei e de implementação, e o efeito nos prazos só poderá ser medido quando os juízos estiverem a funcionar.

Próximos passos: o que fazer agora com seu processo contra a AIMA

Cada processo de residência tem as suas particularidades, e uma mudança legislativa em curso torna a orientação atualizada ainda mais útil. Se o seu pedido está parado ou você avalia recorrer à Justiça, o mais prudente é conversar com quem acompanha essas mudanças de perto.

Veja os serviços de pedido de autorização de residência e de renovação de autorização de residência, ou fale com um especialista. Cada caso tem suas particularidades — começa por uma análise honesta.

Aviso legal: as informações deste artigo têm caráter informativo e não substituem uma consulta jurídica individual. Cada caso de visto ou residência em Portugal tem particularidades que podem mudar requisitos, prazos e procedimentos.

Aviso legal

A Cidadania e Visto - Assessoria é uma empresa privada de consultoria documental e imigratória, sem vínculo com consulados ou órgãos governamentais. Não julgamos processos de cidadanias ou vistos, nem representamos governos estrangeiros.

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