Dá para fazer a cidadania portuguesa sozinho: a lei não exige advogado, e um particular pode entregar o pedido por correio à Conservatória dos Registos Centrais, em Lisboa, num balcão de nacionalidade ou num consulado, segundo a página oficial do Ministério da Justiça. A taxa do Estado é a mesma nos dois caminhos. A escolha entre fazer a cidadania portuguesa sozinho ou com assessoria depende de três coisas: quanto os seus documentos estão em ordem, que tipo de pedido é o seu e em que fila ele vai cair.
Este guia compara os dois caminhos com honestidade. Mostra os casos em que fazer sozinho funciona bem e aqueles em que a ajuda profissional costuma compensar.
O que a lei permite: fazer cidadania portuguesa sozinho ou com assessoria
A Lei da Nacionalidade (Lei n.º 37/81) não obriga ninguém a contratar advogado para pedir a nacionalidade. O próprio interessado, ou o pai e a mãe no caso de menores, pode reunir os documentos, preencher o formulário do IRN e entregar o pedido. Há três formas de entrega para quem faz por conta própria:
- Por correio, endereçado à Conservatória dos Registos Centrais, em Lisboa.
- Presencialmente, num balcão de atendimento de nacionalidade em Portugal.
- No consulado de Portugal da sua área.
A lei mudou em 2026. A Lei Orgânica n.º 1/2026, de 18 de maio, está em vigor desde 19 de maio de 2026. Pelo art. 7.º, os pedidos que já estavam pendentes nessa data seguem as regras anteriores. Os pedidos novos seguem o texto atual, e isso pesa mais para netos do que para filhos.
Filho, neto e cônjuge: o que muda em cada pedido
O filho de português nascido no Brasil tem direito à nacionalidade de origem pelo art. 1.º, n.º 1, alínea c). O texto dessa alínea não mudou de substância com a lei nova. É o pedido mais simples de montar quando o pai ou a mãe já tem o assento de nascimento português.
O neto de português também recebe a nacionalidade de origem (art. 1.º, n.º 1, alínea d). Desde a lei nova, o n.º 3 do art. 1.º exige os requisitos das alíneas c) a h) do n.º 1 do art. 6.º: conhecimento da língua e da cultura portuguesas, conhecimento dos direitos e deveres fundamentais, declaração de adesão ao Estado de direito democrático e ausência de certas condenações e sanções. Para brasileiros, a língua é presumida (art. 6.º, n.º 10). A cultura e os direitos e deveres não entram nessa presunção, e o regulamento que diz como provar esses pontos aguardava publicação em setembro de 2026.
O cônjuge ou companheiro de português adquire a nacionalidade por declaração (art. 3.º), com casamento ou união de facto há mais de três anos. A união de facto precisa de reconhecimento judicial. Pelo art. 9.º, n.º 2, não há oposição quando o casamento ou a união tem mais de seis anos ou quando há filhos comuns com nacionalidade portuguesa.
O bisneto não tem atribuição direta. O art. 6.º, n.º 8, prevê uma naturalização que o Governo pode conceder, com cinco anos de residência legal em Portugal, ainda sem regulamentação. O caminho está explicado no guia sobre cidadania portuguesa para bisnetos.
O caminho autônomo: custos, riscos e o que costuma dar errado
Quem faz sozinho paga as mesmas taxas oficiais de quem contrata assessoria. A diferença está no tempo que você dedica e no risco de erro. As taxas publicadas nas páginas de serviço, pagas no protocolo, são estas:
| Tipo de pedido | Taxa da conservatória |
|---|---|
| Filho de português, maior de idade | €175 |
| Filho de português, menor de idade | Isento |
| Neto de português, maior de idade | €175 |
| Neto de português, menor de idade | Isento |
| Cônjuge de português | €250 |
Além da taxa, entram as certidões brasileiras de inteiro teor, a Apostila de Haia em cada documento brasileiro e o envio internacional. Documento brasileiro não precisa de tradução, porque o idioma é o mesmo.
Os erros que mais travam um pedido feito sozinho
- Nomes e datas divergentes. Um sobrenome grafado de forma diferente entre a certidão portuguesa e a brasileira pode gerar uma exigência da conservatória. Às vezes a correção é simples; outras vezes exige uma retificação de certidão no Brasil ou em Portugal antes do pedido.
- Certidão antiga ou incompleta. A conservatória pede certidões de inteiro teor recentes. Uma cópia antiga ou em breve relato costuma voltar.
- Formulário errado. Cada tipo de pedido tem o seu modelo. Os formulários de nacionalidade do IRN mudam conforme o pedido e a idade do requerente.
- Registo prévio em falta. Em alguns casos, um ato da família (como o casamento do português realizado no Brasil) precisa estar registado em Portugal antes do pedido.
- Antepassado sem certidão localizada. Sem saber a freguesia de nascimento do português, a busca em arquivos distritais e paróquias pode levar meses.
Uma exigência não significa pedido negado. Significa que o processo para até você responder. Quem faz sozinho precisa acompanhar o andamento e responder dentro do prazo indicado pela conservatória.
Comparativo: prazo, trabalho e segurança de cada caminho
O prazo total depende pouco de quem monta o processo e muito da fila do órgão que analisa o pedido. Um pedido entregue numa conservatória fica nela. Pelo quadro de agosto de 2026, estas eram as datas de entrada dos pedidos que cada órgão estava analisando:
| Tipo de pedido (maiores de idade) | Arquivo Central do Porto | Conservatória dos Registos Centrais (Lisboa) |
|---|---|---|
| Filho de português, por inscrição | 1.ª quinzena de março de 2026 | 1.ª quinzena de novembro de 2023 |
| Filho de português, por transcrição | 2.ª quinzena de maio de 2025 | 2.ª quinzena de março de 2022 |
| Neto de português | 2.ª quinzena de setembro de 2023 | 1.ª quinzena de fevereiro de 2022 |
As filas mudam a cada divulgação do IRN. A versão atualizada, com o histórico mês a mês, está na página de prazos da nacionalidade portuguesa.
Dois pontos saem dessa tabela. Primeiro, o pedido de filho feito por inscrição anda bem mais rápido do que por transcrição; a diferença está explicada em inscrição ou transcrição. Segundo, o pedido enviado por correio vai para Lisboa, onde a fila é mais longa. No nosso trabalho, o pedido de filho é feito por inscrição e o protocolo de filho e de neto é feito presencialmente no Porto (na Conservatória do Registo Civil do Porto, que encaminha o pedido ao Arquivo Central do Porto).
| Critério | Fazer sozinho | Com assessoria |
|---|---|---|
| Taxa do Estado | A mesma | A mesma |
| Honorários | Nenhum | Conforme o contrato |
| Onde o pedido costuma cair | Lisboa, se enviado por correio | Depende de onde é protocolado; pergunte antes de contratar |
| Busca de certidões | Você pesquisa e pede cada documento | Feita pela equipe |
| Análise dos documentos | Você compara nomes, datas e filiações | Revisão antes do protocolo |
| Resposta a exigências | Você acompanha e responde | A equipe acompanha e responde |
| Precisa viajar | Não, se enviar por correio | Não, com procuração |
Nenhum dos caminhos garante aprovação. A decisão cabe à conservatória, e quem promete o contrário está prometendo o que não controla.
Quando dá para fazer sozinho e quando vale a assessoria
Fazer sozinho costuma funcionar quando
- O pedido é de filho e o pai ou a mãe já tem o assento de nascimento português em mãos.
- Os nomes, datas e filiações batem entre todas as certidões.
- Você tem tempo para pedir certidões, apostilar, preencher o formulário e acompanhar o processo.
- Você não se importa que o pedido entre na fila de Lisboa, ou pode entregá-lo pessoalmente em Portugal.
O passo a passo e a lista de documentos por tipo de pedido estão em documentos para cidadania portuguesa.
A assessoria costuma compensar quando
- A certidão do português não foi localizada. A busca de documentos em Portugal faz a pesquisa em conservatórias, arquivos distritais e paróquias, e você só paga se o documento for localizado.
- Há divergências de nome ou data que exigem retificação antes do pedido.
- O pedido é de neto e envolve os requisitos novos do art. 1.º, n.º 3, que ainda dependem de regulamentação.
- Você quer que o pedido seja protocolado no Porto e não pode ir até lá.
- Vários familiares vão pedir ao mesmo tempo e os documentos se repetem entre os processos.
Os prazos estimados dos nossos serviços, contados a partir do protocolo, são de 6 a 12 meses para a cidadania para filho de português maior de idade, 1 a 3 meses para filho menor, 30 a 40 meses para a cidadania para neto de português maior de idade, 4 a 8 meses para neto menor e 48 a 60 meses para cônjuge. São estimativas, porque a fila é do órgão público.
Como escolher uma assessoria de confiança sem cair em ciladas
Se decidir contratar, avalie a assessoria por fatos que você consegue conferir sozinho:
- Quem é o advogado. Peça o nome e o número de inscrição. No Brasil, a consulta é feita no Cadastro Nacional dos Advogados da OAB; em Portugal, no portal da Ordem dos Advogados.
- Onde o pedido será protocolado. Pergunte se vai pelo Porto ou por Lisboa, e por quê. A resposta muda o prazo real.
- Contrato por escrito. O contrato deve dizer o que está incluído, o que é taxa do Estado e o que acontece se surgir uma exigência.
- Prazo apresentado como estimativa. Desconfie de prazo fixo prometido. A fila é do IRN.
- Nenhuma garantia de aprovação. Quem decide é a conservatória.
- Reputação pública. Leia as avaliações públicas no Google e as reclamações em sites de consumidores.
Outras perguntas úteis estão na lista de perguntas antes de contratar uma assessoria.
Perguntas frequentes
É possível tirar a cidadania portuguesa sozinho em 2026?
Sim. A lei não exige advogado, e o próprio interessado pode entregar o pedido por correio à Conservatória dos Registos Centrais, em Lisboa, num balcão de nacionalidade em Portugal ou no consulado. O pedido por correio vai para a fila de Lisboa, que no quadro de agosto de 2026 era mais longa do que a do Arquivo Central do Porto.
Quem faz sozinho paga taxas menores?
Não. A taxa da conservatória é a mesma nos dois caminhos: €175 para filho ou neto maior de idade, isenção para filho ou neto menor e €250 para cônjuge. Quem faz sozinho economiza os honorários, mas continua pagando certidões, apostilas e envio.
Quanto tempo demora a cidadania para neto?
Depende da fila do órgão que analisa o pedido. No quadro de agosto de 2026, o Arquivo Central do Porto analisava pedidos de neto maior de idade entrados na 2.ª quinzena de setembro de 2023, e a Conservatória dos Registos Centrais, os da 1.ª quinzena de fevereiro de 2022. O prazo estimado do nosso serviço para neto maior de idade é de 30 a 40 meses.
Os requisitos novos da lei de 2026 valem para netos?
Sim, para os pedidos feitos a partir de 19 de maio de 2026: o art. 1.º, n.º 3, exige os requisitos das alíneas c) a h) do n.º 1 do art. 6.º. A língua é presumida para brasileiros, mas o regulamento sobre a prova dos demais requisitos aguardava publicação em setembro de 2026. Os pedidos pendentes em 19 de maio de 2026 seguem a lei anterior.
Preciso ir a Portugal para fazer o pedido?
Não. Quem faz sozinho pode enviar o pedido por correio ou entregá-lo no consulado, e quem contrata assessoria assina uma procuração. Ir a Portugal só é necessário se você quiser entregar o pedido pessoalmente num balcão de nacionalidade.
O que acontece se a conservatória fizer uma exigência?
O processo fica parado até você enviar o documento ou a correção pedida, dentro do prazo indicado na notificação. Uma exigência não é um indeferimento, mas uma resposta incompleta pode levar a ele.
Como saber se uma assessoria é confiável?
Confira o nome e a inscrição do advogado na OAB e na Ordem dos Advogados de Portugal, peça contrato por escrito, pergunte onde o pedido será protocolado e desconfie de quem garante aprovação ou prazo fixo. Avaliações públicas e reclamações em sites de consumidores ajudam a completar o quadro.
Fazer sozinho é um caminho legítimo, e para muitos pedidos de filho com documentos em ordem ele funciona. Quando faltam certidões, os nomes não batem ou o pedido é de neto, a ajuda profissional costuma poupar tempo. Cada caso tem suas particularidades — começa por uma análise honesta. Se quiser saber em que situação o seu se encaixa, faça o teste de cidadania ou peça um orçamento à Cidadania e Visto.






