A apostila de Haia para cidadania portuguesa é o selo que certifica, em Portugal, a autenticidade de um documento público brasileiro, e é exigida nas certidões brasileiras que entram no pedido de nacionalidade. Ela existe pela Convenção da Haia de 1961, que o Brasil passou a aplicar em agosto de 2016, e é emitida por cartórios brasileiros autorizados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Documento brasileiro sem apostila costuma gerar exigência da conservatória e atrasar o pedido.
Como Portugal e Brasil são signatários da Convenção, o caminho é direto, mas tem detalhes técnicos que, se ignorados, atrasam o pedido. Este artigo explica o que é a apostila de Haia, quais documentos precisam dela na cidadania portuguesa, como obtê-la no Brasil e em Portugal, quanto custa e onde os erros mais acontecem.
O que é a Apostila de Haia e por que ela é obrigatória na cidadania portuguesa
Antes de 2016, quem precisava usar um documento brasileiro em Portugal tinha de passar pela legalização consular, um trâmite caro e demorado. Com a entrada em vigor da Convenção da Apostila para o Brasil, em 14 de agosto de 2016, a legalização consular entre os países signatários deu lugar ao apostilamento: basta a apostila para que o documento produza efeitos no outro país.
Na prática, a apostila funciona como um "reconhecimento de firma internacional". Ela certifica a autenticidade da assinatura e o cargo de quem assinou o documento público, e dá a ele valor de prova formal no outro país signatário. A apostila não confere validade própria ao documento nem corrige o seu conteúdo.
No pedido de cidadania, a conservatória em Portugal precisa ter segurança de que as certidões brasileiras são autênticas. A apostila brasileira traz um QR Code que permite consultar a sua emissão, e é isso que as autoridades portuguesas conferem. Sem ela, a conservatória não tem como confirmar a origem do documento e costuma abrir uma exigência.
Um ponto gera muita confusão: cada país só apostila os seus próprios documentos. Documento brasileiro é apostilado no Brasil; não é possível apostilar uma certidão brasileira em Portugal. Da mesma forma, certidões emitidas em Portugal são apostiladas pela Procuradoria-Geral da República portuguesa, e não por cartórios brasileiros.
Quais documentos precisam de apostila de Haia para a cidadania portuguesa
Nem todo documento do seu dossiê precisa de apostila. A regra geral é: todo documento público emitido no Brasil que será apresentado em Portugal precisa ser apostilado. Documentos portugueses, emitidos por conservatórias ou arquivos distritais de Portugal, já têm validade plena em Portugal e não precisam de apostila para o pedido de nacionalidade.
Documentos brasileiros que normalmente precisam de apostila
Abaixo estão os documentos mais comuns nos pedidos de cidadania portuguesa por neto, filho ou cônjuge, com a indicação de apostilamento:
- Certidão de nascimento do requerente, em inteiro teor, apostilada. A lei não fixa um prazo de validade para certidões brasileiras de registro civil, mas é prática pedir certidões recentes, emitidas perto da data do pedido.
- Certidão de nascimento do pai ou da mãe (no caso de neto, o filho do português), em inteiro teor, apostilada.
- Certidão de casamento do requerente ou dos ascendentes, quando o casamento foi celebrado no Brasil, apostilada.
- Certidão de óbito de ascendentes falecidos, quando emitida no Brasil, apostilada.
- Documento de identificação: em geral, basta cópia do documento; o apostilamento da cópia do RG não é exigência comum no pedido de nacionalidade.
- Certidão de antecedentes criminais: o IRN pede o registo criminal a netos maiores de 16 anos, a cônjuges e na naturalização; no pedido de filho de português, não. A certidão da Polícia Federal é emitida online e tem validade de 90 dias. Se ela precisa ou não de apostila no seu caso deve ser confirmado antes do envio.
- Requerimento de nacionalidade (formulário do IRN): não é apostilado. Quando enviado pelo correio, a assinatura precisa ser reconhecida.
O que NÃO precisa de apostila de Haia
- Certidão de nascimento portuguesa do avô ou do pai, emitida pela conservatória ou pelo arquivo distrital de Portugal: já tem validade plena em território português.
- Assento de nascimento português gerado depois da aprovação do pedido: não precisa de apostila para uso em Portugal.
- Tradução: documentos brasileiros estão em português e não precisam de tradução para uso em Portugal.
Sobre a certidão de antecedentes criminais da Polícia Federal, é comum ouvir que ela é aceita sem apostila por ter validação eletrônica. Não há regra publicada que confirme isso para todos os pedidos, então confirme com o IRN ou com o consulado responsável pelo seu caso antes de enviar.
Quer saber quais documentos se aplicam ao seu caso? O teste gratuito de cidadania portuguesa ajuda a identificar sua via, e o guia de documentos da cidadania por descendência traz a lista completa.
Como tirar a Apostila de Haia no Brasil para cidadania portuguesa: passo a passo
No Brasil, o apostilamento é regulamentado pelo Conselho Nacional de Justiça (Resolução CNJ n.º 228/2016 e Provimento CNJ n.º 62/2017), e quem emite a apostila são os cartórios habilitados. O processo é simples, mas tem detalhes técnicos que merecem atenção.
Passo 1 — Obtenha o documento atualizado
Antes de apostilar, confira se o documento está correto e atualizado. Para certidões de nascimento, casamento ou óbito, peça uma nova via em inteiro teor ao cartório de registro civil. Documentos muito antigos podem trazer assinaturas que o cartório não consegue conferir, o que impede o apostilamento.
Passo 2 — Verifique se é necessário reconhecimento de firma
Pelo Provimento CNJ n.º 62/2017, o cartório que apostila precisa verificar a autenticidade da assinatura e o cargo de quem assinou o documento. Quando o cartório não tem essa assinatura no seu arquivo, por exemplo numa certidão emitida em outro estado, ele pode pedir o reconhecimento de firma antes. Documentos assinados eletronicamente, como a certidão de antecedentes da Polícia Federal, dispensam esse passo.
Passo 3 — Leve a um cartório credenciado pelo CNJ
O art. 4.º do Provimento CNJ n.º 62/2017 permite que o apostilamento seja feito por notários e registradores habilitados, independentemente da especialidade do serviço ou da circunscrição territorial. Isso significa que você não precisa apostilar no estado onde o documento foi emitido. Para encontrar um cartório habilitado, consulte o portal do CNJ em cnj.jus.br.
Passo 4 — Receba a apostila física ou eletrônica
O cartório dá um recibo de protocolo com prazo de entrega, que não pode passar de 5 dias (art. 9.º do Provimento CNJ n.º 62/2017). Para poucos documentos, é comum sair no mesmo dia.
A apostila é emitida junto ao documento, colada ou anexada a ele, e fica registrada no sistema eletrônico do CNJ. As conservatórias portuguesas podem conferir a autenticidade pelo QR Code impresso na própria apostila.
Opção online: apostilamento eletrônico
Desde o Provimento CNJ n.º 119/2021, documentos nato-digitais, assinados eletronicamente, podem ser apostilados sem impressão em papel. A apostila eletrônica é salva num arquivo único, logo depois do documento, assinada pela autoridade apostilante e enviada ao e-mail informado.
Para documentos em papel, é possível enviar ao cartório por um intermediário ou pedir o serviço à distância, quando o cartório oferece essa opção. Em qualquer caso, a apostila só pode ser emitida por cartório habilitado.
Como funciona o apostilamento em Portugal para documentos usados na cidadania portuguesa
Se você pediu certidões do seu avô ou bisavô em Portugal, numa conservatória ou num arquivo distrital, e vai usá-las no Brasil, precisa apostilá-las do lado português. É o caso, por exemplo, de uma certidão portuguesa usada para retificar um registro em cartório brasileiro.
Em Portugal, a autoridade competente para a apostila é o Procurador-Geral da República, com delegação nas procuradorias regionais, segundo o Ministério Público de Portugal. São apostilados, entre outros, os documentos emitidos por ministérios, tribunais, conservatórias, cartórios notariais, estabelecimentos públicos de ensino, câmaras municipais e juntas de freguesia.
O serviço funciona em Lisboa, Porto, Coimbra, Guimarães, Évora, Funchal e Ponta Delgada. Em Lisboa, o atendimento presencial depende de marcação prévia, e documentos eletrónicos podem ser apostilados pelo portal apostila.ministeriopublico.pt.
Quem está no Brasil pode organizar o apostilamento à distância, pedindo que a certidão seja enviada à procuradoria competente e combinando o envio da certidão apostilada. O serviço de apostilamento de documentos em Portugal cuida dessa logística.
Cada apostila em Portugal custa um décimo da unidade de conta (UC), ou seja, €10,20, segundo o Ministério Público. Confirme o valor antes do pedido.
Quanto custa a apostila de Haia para cidadania portuguesa no Brasil em 2026
O valor da apostila no Brasil segue a tabela oficial de custas de cada estado, por isso muda conforme o cartório onde você apostila. O preço de cada documento pode ser calculado, com a fonte e a vigência de cada valor, na calculadora de custos de documentos.
Além da apostila, leve em conta outros custos: a própria certidão em inteiro teor, o reconhecimento de firma, quando o cartório pedir, e o envio pelos Correios.
Uma boa notícia: não há restrição de circunscrição para apostilamento, então você pode apostilar os documentos em qualquer estado do Brasil, independentemente de onde foram emitidos. Se o preço na sua cidade for alto, vale comparar com cartórios de outros estados.
Outro ponto envolve a validade: a apostila não tem validade própria e não altera a validade do documento apostilado. Se a certidão precisar ser renovada porque ficou antiga, será preciso emitir uma nova e apostilá-la de novo.
Para entender o custo completo do seu processo de cidadania, incluindo certidões, apostilas e taxas, faça um orçamento. O artigo sobre quanto custa a cidadania portuguesa reúne as taxas do IRN.
Erros mais comuns na apostila de Haia que travam o processo de cidadania portuguesa
Conhecer esses erros antes de montar o dossiê evita retrabalho e novas despesas.
Erro 1 — Apostilar certidão desatualizada
Muita gente apostila a certidão que tem em casa, emitida há anos, e depois descobre que o documento precisa ser atualizado ou que foi emitido em breve relato, quando o pedido exige inteiro teor. O resultado é duplo: nova certidão e nova apostila, com custo e atraso.
Erro 2 — Não reconhecer firma antes de apostilar
A apostila certifica a assinatura de quem emitiu o documento. Se o cartório que apostila não consegue conferir essa assinatura, ele pede o reconhecimento de firma antes. Quem vai ao cartório sem esse passo pode ter de voltar outro dia.
Erro 3 — Apostilar tradução sem apostilar o original
Para a cidadania portuguesa, documentos brasileiros não precisam de tradução, porque já estão em português. A tradução só entra quando o documento está em outra língua, por exemplo uma certidão italiana ou espanhola de um ascendente. Nesse caso, o Provimento CNJ n.º 62/2017 exige tradução por tradutor público e duas apostilas distintas: uma para o original e outra para a tradução.
Erro 4 — Ignorar divergências de nome antes de apostilar
A apostila certifica a autenticidade do documento, mas não corrige dados. Pequenas divergências, como variações na grafia de nomes ou sobrenomes entre as certidões das gerações, podem gerar exigências da conservatória e parar o andamento do pedido.
Se houver erro numa certidão, o caminho é primeiro corrigir o documento, por retificação administrativa ou judicial, e depois apostilar a versão corrigida. Apostilar um documento com erro apenas certifica o erro perante as autoridades estrangeiras.
Precisa corrigir uma certidão brasileira antes de apostilar? Veja o serviço de retificação de documentos no Brasil e o artigo sobre erro de nome em certidão.
Erro 5 — Tentar apostilar documentos de outro país em Portugal
Em Portugal, só é possível apostilar documentos portugueses. Se você mora em Portugal e precisa apostilar um documento brasileiro, envie-o ao Brasil, ou use um representante lá, para que um cartório habilitado faça o apostilamento.
Erro 6 — Confundir autenticação consular com apostilamento
Legalização consular e apostila são procedimentos diferentes. Desde a adesão do Brasil à Convenção, em 2016, documentos brasileiros e portugueses não precisam mais ser legalizados em consulado para produzir efeitos no outro país: basta a apostila do país que emitiu o documento.
Apostila de Haia e o prazo do processo de cidadania portuguesa: o que você precisa saber
Uma dúvida frequente entre descendentes de portugueses é: "se eu apostilar os documentos agora, eles ainda servirão quando o pedido for analisado em Portugal?" A resposta depende de separar dois tempos: o do documento e o da apostila.
A apostila, em si, não vence. Ela também não prolonga a validade do documento: se a certidão ficar antiga, a apostila não a torna mais recente.
Por isso, o cuidado deve ser com o próprio documento. Na prática:
- Se você reunir e apostilar tudo hoje, mas o pedido só for entregue em Portugal muitos meses depois, parte das certidões pode precisar ser renovada.
- O mais seguro é emitir e apostilar as certidões brasileiras perto da data de entrega do pedido.
- Isso exige planejamento: reunir primeiro os documentos portugueses, que costumam demorar mais, e deixar as certidões brasileiras para o fim.
Esse sequenciamento documental é uma das partes em que o acompanhamento do processo faz diferença, porque evita emitir e apostilar o mesmo documento duas vezes.
No pedido de cidadania para filho de português, o pedido é feito por inscrição do nascimento no registo civil português. No pedido de neto, o prazo depende da fila da conservatória que recebe o pedido: o protocolo presencial no Porto (na Conservatória do Registo Civil do Porto, que encaminha o pedido ao Arquivo Central do Porto) costuma ter fila mais curta que a da Conservatória dos Registos Centrais, em Lisboa, e o pedido fica na conservatória onde foi entregue. Para acompanhar a fila atual, veja a página de prazos da nacionalidade portuguesa, que reproduz os quadros oficiais do IRN.
Apostila de documentos portugueses para uso no Brasil: quando é necessário
Existe também o caminho inverso: você tem certidões do seu avô ou bisavô, ou vai buscá-las em Portugal, e precisa usá-las no Brasil. Isso acontece, por exemplo, numa retificação de certidão em cartório, numa homologação de sentença estrangeira ou numa ação de reconhecimento de filiação.
Nesses casos, o documento português precisa da apostila da Procuradoria-Geral da República para ser aceito por cartórios e tribunais brasileiros. Isso vale para certidões de registo civil e para assentos de batismo antigos, usados como prova de nascimento de quem nasceu antes da criação do registo civil em Portugal, em 1911.
Se você ainda precisa localizar as certidões do seu antepassado português, a busca de documentos em Portugal pesquisa em conservatórias, arquivos distritais e registos paroquiais, e só é cobrada se o documento for localizado.
Perguntas Frequentes sobre Apostila de Haia e Cidadania Portuguesa
A apostila de Haia tem prazo de validade?
Não. A apostila não tem prazo de validade próprio e também não prolonga a validade do documento apostilado. O que pode ficar desatualizado é a certidão, não a apostila. Se a certidão precisar ser renovada para o pedido de cidadania, será preciso emitir uma nova e apostilá-la de novo.
Posso apostilar meus documentos brasileiros em Portugal?
Não. Cada país apostila apenas os seus próprios documentos. Documentos brasileiros são apostilados no Brasil, por cartórios habilitados pelo CNJ; em Portugal, a Procuradoria-Geral da República apostila só documentos portugueses. Se você mora em Portugal, envie o documento ao Brasil ou use um representante lá.
Todo documento brasileiro precisa de apostila de Haia para a cidadania portuguesa?
Em regra, sim: as certidões brasileiras de nascimento, casamento e óbito que entram no pedido precisam de apostila. Não precisam os documentos emitidos em Portugal, que já valem lá, nem o formulário do IRN, que só exige assinatura reconhecida quando vai pelo correio. Se a certidão de antecedentes da Polícia Federal precisa de apostila no seu caso deve ser confirmado antes do envio.
O requerimento de cidadania (formulário do IRN) também precisa ser apostilado?
Não. O formulário é preenchido e assinado pelo requerente; quando é enviado pelo correio à Conservatória dos Registos Centrais, a assinatura precisa ser reconhecida. Quando o pedido é submetido por advogado ou solicitador pela plataforma online, obrigatória para esses profissionais desde 1.º de dezembro de 2023, a entrega é feita pelo representante.
Quanto custa apostilar documentos para cidadania portuguesa no Brasil?
O valor segue a tabela oficial de custas de cada estado e muda conforme o cartório; por isso, o mais seguro é calcular pelo valor oficial do seu estado na calculadora de custos de documentos. Além da apostila, considere a certidão em inteiro teor, o reconhecimento de firma, quando exigido, e o envio postal. Um pedido de neto costuma ter várias certidões brasileiras para apostilar.
Posso apostilar documentos de um estado em outro estado do Brasil?
Sim. O Provimento CNJ n.º 62/2017 permite o apostilamento independentemente da circunscrição territorial, então qualquer cartório habilitado pode apostilar um documento emitido em outro estado. O cartório pode, porém, pedir o reconhecimento de firma quando não tiver a assinatura do emissor no seu arquivo.
O que acontece se eu enviar documentos sem apostila de Haia para o processo de cidadania portuguesa?
A conservatória costuma abrir uma exigência pedindo a regularização do documento, e o pedido fica parado até a resposta. Nesse intervalo, outras certidões podem ficar desatualizadas e precisar de nova emissão. Por isso, vale revisar o dossiê inteiro antes da entrega.
O próximo passo: da apostila de Haia à cidadania portuguesa com segurança
Apostilar corretamente é uma etapa técnica dentro de um processo maior. A sequência certa é: verificar a via de cidadania, mapear os documentos, corrigir divergências antes de emitir, emitir e apostilar perto da data de entrega e, só então, enviar o pedido.
Cada documento emitido cedo demais, cada certidão com erro apostilada sem correção e cada formulário enviado sem assinatura reconhecida pode gerar uma exigência e atrasar o pedido.
Cada caso tem suas particularidades — começa por uma análise honesta. Se você tem avô, pai ou bisavô português e quer entender o que precisa apostilar no seu caso, fale com um especialista da Cidadania e Visto.






