Início/Blog/Cidadania Portuguesa
Cidadania Portuguesa

Como fazer uma árvore genealógica: modelo grátis para baixar e preencher

Como fazer uma árvore genealógica: modelo grátis para baixar e preencher
Fabio Pereira
Artigo deFabio Pereira

Coordenador Comercial, formado em Marketing e especialista em nacionalidade portuguesa e imigração para Portugal. Reside em Portugal desde 2019, unindo conhecimento técnico à experiência prática e ao conhecimento da realidade portuguesa. Integra a equipe da Cidadania e Visto, assessoria especializada com mais de 5.000 processos concluídos e avaliação de 5,0 estrelas no Google.

Saber como fazer uma árvore genealógica é o primeiro passo para quem quer pedir a cidadania portuguesa. Montar essa árvore significa registrar, de forma organizada, o nome completo, a data de nascimento, o local de origem e o grau de parentesco de cada pessoa na linha familiar — da sua geração até o ascendente português. O processo começa em você e sobe degrau a degrau, juntando um documento comprobatório para cada elo da cadeia. Sem esse mapa, é impossível saber quais certidões reunir nem onde buscá-las.

Ficou com dúvida sobre o seu caso? Fale com um especialista da Cidadania e Visto pelo WhatsApp.
Falar com especialista

O que anotar em cada pessoa da sua árvore genealógica?

Para um uso simples — descobrir origens ou presentear a família — basta nome e data de nascimento. Quando o objetivo é a cidadania portuguesa, cada pessoa da linha direta precisa de um conjunto mínimo de dados. A tabela abaixo resume o que anotar ao fazer sua árvore genealógica:

Campo Por que importa para a cidadania?
Nome completo (incluindo sobrenome de solteira) Identifica a pessoa nos registros de cartório e conservatória
Data e local de nascimento Indica onde buscar a certidão e confirma a nacionalidade
Data e local de casamento Liga as gerações e fundamenta a filiação legítima
Data e local de óbito (quando aplicável) Localiza o assento de óbito, útil quando certidões de nascimento estão ilegíveis
Naturalidade dos pais (se consta no registro) Abre ou fecha a geração seguinte — confirma se há mais um elo a provar
Documento localizado / a localizar Evita retrabalho e mostra onde ainda há lacuna no dossiê

O sobrenome de solteira das mulheres merece atenção especial. Não incluir esse nome é um detalhe frequentemente esquecido, e omiti-lo pode fechar caminhos para novas descobertas. No contexto de cidadania portuguesa, um sobrenome errado ou omitido pode impedir a localização do assento de nascimento do avô ou bisavô em Portugal.

Até quantas gerações você precisa mapear na árvore genealógica?

Depende da sua situação. A regra geral é: quanto mais distante o ancestral português, maior a cadeia documental exigida. Veja como isso se traduz na prática:

  • Filho de português: a linha vai até o pai ou mãe português(a). Dois elos — você e o seu progenitor. Com base no art. 1.º, n.º 1, al. c) da Lei n.º 37/81, a nacionalidade é atribuída de forma originária, sem exigir residência em Portugal.
  • Neto de português: a linha vai até o avô ou avó português(a), passando pelo pai ou mãe que é filho(a) do português. Três elos. Com base no art. 1.º, n.º 1, al. d) e n.º 3 da Lei n.º 37/81, na redação da Lei Orgânica n.º 1/2026, a atribuição é possível, mas condicionada ao cumprimento de requisitos como conhecimento da língua portuguesa (presumido para brasileiros) e conhecimento de cultura, história e direitos e deveres (este último não é presumido).
  • Bisneto de português: a lei não prevê atribuição de nacionalidade para bisnetos. O art. 6.º, n.º 8 da Lei n.º 37/81 permite ao Governo conceder naturalização com cinco anos de residência legal em Portugal, mas sem regulamentação em vigor até setembro de 2026. Se é sua situação, a orientação é consultar um especialista antes de dar qualquer passo.

Na prática, o processo exige reunir certidões que conectem todas as gerações da família até o português de origem. Além disso, quanto mais distante a geração, maior a cadeia documental necessária.

Passo a passo: como fazer sua árvore genealógica para cidadania portuguesa

  1. Comece em você. Anote seu nome completo, data e local de nascimento. Esse é o ponto de partida. Separe sua certidão de nascimento em inteiro teor por cópia reprográfica — não a versão simples. Essa certidão reproduz o registro completo, com todas as anotações e averbações. Por isso, é a versão exigida nos processos de nacionalidade: a certidão em breve relato não mostra o que a conservatória precisa verificar.
  2. Adicione seus pais. Registre o nome completo de cada um, as datas e os locais de nascimento, e se eram casados à data do seu registro. Certidões de nascimento, casamento e óbito são os pilares da pesquisa genealógica. Elas contêm informações como filiação, naturalidade, idade e, muitas vezes, as testemunhas — que podem ser parentes ou conhecidos.
  3. Suba para os avós. Preencha o nome completo, o sobrenome de solteira das avós, a data e o local de nascimento de cada um dos quatro avós. É aqui que aparece, com frequência, o português da família. Se você já sabe que tem um avô ou avó nascido em Portugal, anote o distrito ou município: essa informação define onde buscar o assento de nascimento.
  4. Estenda para os bisavós, se necessário. Esse é o nível em que a maioria das pessoas começa a precisar de pesquisa em cartórios, paróquias e bases públicas. Confirme cada bisavô com pelo menos uma fonte: certidão, registro de batismo, foto com nome no verso ou relato consistente de mais de um parente.
  5. Marque o que ainda não tem certeza. Use uma coluna ou cor diferente para separar o que está confirmado por documento do que veio de relato familiar. Isso evita que dados duvidosos entrem no dossiê de cidadania.
  6. Identifique os documentos que ainda faltam. Para cada pessoa da linha direta, anote se a certidão já está em mãos, se precisa ser solicitada ou se ainda não foi localizada. Esse mapa de lacunas é o que vai guiar a próxima etapa: a busca em cartórios e arquivos.

Onde buscar os documentos de cada geração?

Documentos brasileiros

Para certidões suas, dos seus pais e dos seus avós nascidos no Brasil, o caminho é o cartório de registro civil onde cada um foi registrado. A versão aceita em processos de cidadania portuguesa é a inteiro teor por cópia reprográfica, com sinal público do tabelionato e apostila da Convenção de Haia. Vale saber que muitos desses ofícios permitem a solicitação online pelo portal de registro civil — um recurso que simplifica bastante a vida de quem reside em outro estado.

Quando a certidão foi emitida há mais de algumas décadas, ela pode estar em livro físico e exigir uma busca presencial. Nesse caso, o serviço de busca de documentos no Brasil pode localizar a certidão em centrais de registro civil, cartórios, arquivos e paróquias, com entrega digital ou física.

Documentos portugueses

O assento de nascimento do seu avô ou avó — o português da família — está em Portugal. Os registros de nascimento com mais de 100 anos estão arquivados nos Arquivos Distritais. Nesses casos, o interessado deve solicitar a certidão diretamente ao Arquivo Distrital correspondente à naturalidade do nacional português.

Para portugueses que nasceram após 1911, a certidão de nascimento pode ser solicitada diretamente às Conservatórias de Registo Civil ou ao IRN (irn.justica.gov.pt). Para quem veio ao mundo antes disso, os assentos paroquiais estão parcialmente digitalizados no FamilySearch (familysearch.org). A plataforma hospeda coleções portuguesas que cobrem documentação eclesiástica a partir de aproximadamente 1459 e registros civis a partir de 1832 — tudo com acesso básico completamente gratuito, mediante cadastro.

Um ponto importante: o FamilySearch ajuda você a localizar o registro. Todavia, a certidão que instrui o processo de cidadania precisa ser solicitada diretamente ao arquivo ou cartório que guarda o original. Portanto, o FamilySearch serve para confirmar que o registro existe e identificar onde ele está — mas não substitui a certidão oficial.

Para quem tem dificuldade em localizar registros diretamente nos arquivos portugueses, o serviço de busca de documentos em Portugal realiza a pesquisa presencialmente em cartórios e arquivos locais.

Documentos para cada geração: resumo prático

Geração Documento principal Onde buscar
Você (requerente) Certidão de nascimento inteiro teor + apostila Cartório de registro civil brasileiro
Pais Certidão de nascimento inteiro teor + certidão de casamento + apostila Cartório de registro civil brasileiro
Avós (o português) Assento de nascimento português + assento de casamento (quando aplicável) Conservatória em Portugal, Arquivo Distrital ou IRN
Bisavós (quando necessário) Registro paroquial de batismo ou assento de nascimento Arquivo Distrital em Portugal ou FamilySearch (para localização)

Erros comuns que travam o processo de cidadania

A árvore genealógica bem montada vale pouco se os documentos tiverem inconsistências. Os erros mais frequentes que encontramos em dossiês são:

  • Nome diferente entre certidões: o avô aparece como "Manuel" em uma certidão e "Manoel" em outra. Isso exige retificação antes do protocolo.
  • Certidão em breve relato: a versão simples não mostra naturalidade dos pais nem averbações. Um reconhecimento de paternidade feito anos depois, alterações de nome e averbações de casamento ou divórcio aparecem apenas no inteiro teor — assim como a naturalidade dos pais e dos avós, quando constam do registro.
  • Certidão fora do prazo: as conservatórias e consulados geralmente exigem certidões emitidas recentemente. Uma certidão antiga, mesmo que correta, pode ser recusada.
  • Ausência do assento de casamento: quando os pais do requerente eram casados à data do nascimento, esse documento é necessário para provar a filiação legítima.
  • Aceitar relatos orais como prova: para cidadania, cada elo da cadeia familiar precisa de documento oficial. Relatos de parentes servem para orientar a pesquisa, mas não substituem certidão.

Se algum documento estiver com erro de nome, data ou localidade, o candidato deve resolver isso por meio da retificação do documento no Brasil antes de protocolar o pedido. Corrigir depois do protocolo atrasa o processo e pode gerar exigências que demoram meses a ser respondidas.

Modelo de árvore genealógica: o que deve conter

Um bom modelo de árvore genealógica para uso em cidadania portuguesa tem, no mínimo, quatro gerações (você, pais, avós e bisavós), com campos separados para cada dado de cada pessoa. Prefere montar no computador? O FamilySearch oferece uma árvore colaborativa gratuita. Plataformas como o Canva (canva.com) também disponibilizam templates editáveis que você pode exportar em PDF. Já quem prefere papel, uma versão impressa em A3 facilita visualizar quatro gerações sem comprimir os campos.

A Cidadania e Visto disponibiliza um estudo genealógico avançado — conduzido por equipe própria no Brasil e em Portugal — para quem precisa ir além do que a família guarda em casa. Este serviço é isento de taxas. Mais detalhes estão na página de Estudo Genealógico.

Da árvore genealógica ao pedido de cidadania: qual o próximo passo?

Com a árvore montada e os documentos identificados, você já tem o mapa do seu processo. O próximo passo é entender qual via se aplica ao seu caso — filho, neto ou outra modalidade. Além disso, verifique se todos os documentos estão no padrão exigido pelo IRN (irn.justica.gov.pt) ou pelo consulado competente.

Os prazos variam significativamente conforme o órgão de protocolo. Para netos maiores de idade, por exemplo, o prazo de análise chega a 36 meses no Arquivo Central do Porto e a 55 meses nos Registos Centrais, segundo o quadro de setembro/2026 do site Cidadania e Visto. Portanto, escolher o órgão certo pode mudar muito o tempo de espera — e essa decisão deve ser tomada antes do protocolo, não depois.

Para entender com mais detalhe quais documentos são necessários por geração e como cada certidão deve ser formatada, o artigo sobre árvore genealógica como fazer cobre cada geração com exemplos práticos.

Cidadania e Visto é uma assessoria em cidadania portuguesa e vistos para Portugal, com advogados inscritos na OAB (Brasil) e na Ordem dos Advogados de Portugal, estrutura própria nos dois países. O diagnóstico de elegibilidade ocorre antes de qualquer contrato — se o caminho não for viável, dizemos isso antes, sem criar expectativa falsa.

Cada caso tem particularidades que só aparecem quando um advogado analisa os documentos de perto. Se você já tem a árvore esboçada e quer saber se o seu dossiê está pronto para protocolo, solicite uma análise gratuita e receba uma avaliação jurídica do seu caso. Conduzimos. Conectamos. Cuidamos.

Perguntas Frequentes sobre Árvore Genealógica e Cidadania Portuguesa

Preciso de árvore genealógica para pedir cidadania portuguesa?

Não há um documento formal chamado "árvore genealógica" exigido pelo IRN ou pelo consulado. O que o processo exige é a cadeia de certidões que comprova cada elo familiar entre você e o antepassado português. Montar a árvore é uma ferramenta de organização — ela ajuda a identificar quais certidões ainda faltam e onde buscá-las antes de protocolar o pedido.

O FamilySearch substitui a certidão oficial para o processo de cidadania?

Não. O FamilySearch serve para localizar e confirmar que um registro existe, identificando o arquivo ou cartório onde está guardado. A certidão válida para o processo precisa ser solicitada diretamente ao arquivo ou cartório que guarda o original — seja em Portugal ou no Brasil — com as devidas autenticações e, quando necessário, a Apostila de Haia.

Qual formato de certidão de nascimento é aceito para cidadania portuguesa?

Para certidões brasileiras, o formato exigido é o inteiro teor por cópia reprográfica — não a versão em breve relato. Essa versão reproduz o registro completo do cartório, incluindo anotações marginais, reconhecimentos de paternidade e naturalidade dos pais. Além disso, a certidão precisa ser emitida há menos de um ano (ou seis meses, dependendo do consulado) e apostilada pela Convenção de Haia.

Bisneto de português tem direito à cidadania portuguesa?

A Lei n.º 37/81, na redação da Lei Orgânica n.º 1/2026, não prevê atribuição de nacionalidade para bisnetos. O art. 6.º, n.º 8 permite ao Governo conceder naturalização a essa categoria de descendentes com cinco anos de residência legal em Portugal, mas sem regulamentação em vigor em setembro de 2026. Se você se enquadra nessa situação, consulte um especialista antes de iniciar qualquer processo.

E se o nome do meu avô estiver diferente em certidões distintas?

Divergências de nome entre certidões — como "Manuel" em uma e "Manoel" em outra — precisam ser resolvidas antes do protocolo. O caminho é uma retificação judicial ou extrajudicial do documento com erro. Levar certidões inconsistentes ao processo gera exigências formais que atrasam a análise e podem resultar na rejeição do pedido.

Quanto tempo demora a análise do pedido de cidadania após o protocolo?

O prazo varia conforme o órgão onde o pedido é protocolado e o tipo de via (filho, neto, casamento etc.). Segundo o quadro de setembro/2026 do site Cidadania e Visto, o prazo para netos maiores de idade é de 36 meses no Arquivo Central do Porto e de 55 meses nos Registos Centrais. Para filhos maiores (por transcrição), o prazo nos Registos Centrais chega a 53 meses. Por isso, a escolha do órgão de protocolo é uma das decisões mais importantes do processo.

Aviso legal

A Cidadania e Visto - Assessoria é uma empresa privada de consultoria documental e imigratória, sem vínculo com consulados ou órgãos governamentais. Não julgamos processos de cidadanias ou vistos, nem representamos governos estrangeiros.

Não perca o que muda na lei

Uma vez por semana, sem juridiquês: mudanças de regra, prazos e o que elas significam para o seu caso.

Fazer teste de cidadania