O título residência CPLP por ação judicial com aprovação da AIMA tornou-se realidade no início de agosto de 2026: segundo o DN Brasil (6/8/2026), começaram a ser emitidos os primeiros cartões de residência CPLP obtidos por meio de ações judiciais. São casos de imigrantes que entraram em Portugal como turistas e recorreram à Justiça entre junho de 2024 e outubro de 2025, diante da falta de uma via administrativa para apresentar o pedido.
Importa destacar, porém, que se trata dos primeiros casos, dentro da fila judicial, e não de uma mudança na fila administrativa da AIMA. Além disso, cada processo tem o seu andamento, e a emissão do cartão depende de cada decisão.
Da Lacuna Administrativa à Ação Judicial contra a AIMA: O Que Aconteceu
Para entender o que está em jogo, é preciso recuar ao contexto que criou o problema. O volume de queixas acumuladas na AIMA ao longo de 2024 e 2025 já mostrava que a agência operava sob forte pressão.
A autorização de residência CPLP é uma modalidade específica para nacionais de países de língua oficial portuguesa, criada em 2022 por alteração à Lei de Estrangeiros (Lei n.º 23/2007). Por ela, cidadãos da CPLP podiam pedir a residência em Portugal sem passar pelos requisitos das demais autorizações.
Em junho de 2024, o Decreto-Lei n.º 37-A/2024 acabou com a manifestação de interesse. Segundo o DN Brasil, o Governo anunciou então que permitiria o pedido da AR CPLP diretamente pelo portal da AIMA, mesmo para quem tivesse entrado sem visto de residência, assim que houvesse capacidade para isso. Um ano depois, recuou. "Foi ponderada a evolução da situação e, de modo a não gerar efeitos inversos (...), como ter uma manifestação de interesse 2.0, a posição mudou", afirmou o ministro António Leitão Amaro em junho de 2025, segundo o jornal.
Sem via administrativa, milhares de pessoas recorreram aos tribunais administrativos entre junho de 2024 e outubro de 2025. O objetivo era obrigar a AIMA a agendar a entrevista e dar andamento ao pedido.
O caminho foi longo. Depois de os juízes determinarem o agendamento, a AIMA passou a indeferir os pedidos com o argumento de que os requerentes não tinham direito ao título por não terem entrado em Portugal com visto de residência. Para a agência, os pedidos deviam ser analisados à luz da lei nova, que desde 23 de outubro de 2025 não permite esse tipo de regularização em território português.
Qual Lei Se Aplica? O Argumento Jurídico Vencedor na AIMA para o Título CPLP
A tese que resultou nas primeiras aprovações do título de residência CPLP por ação judicial é objetiva: deve valer a lei em vigor na data em que a ação judicial foi apresentada, e não a lei posterior.
Quando os requerentes entraram na Justiça — entre junho de 2024 e outubro de 2025 —, a lei então vigente não exigia visto de residência prévio para a AR CPLP. Foi esse o fundamento usado pelos advogados, segundo o DN Brasil, e aceito nas decisões favoráveis já noticiadas.
Segundo o jornal, a advogada Priscila Narazeth Ferreira obteve decisões favoráveis nessa situação. "Não era necessário um visto de residência prévio", ressaltou. O procedimento que ela usou para reverter os indeferimentos foi a reclamação administrativa.
Na prática, quem entrou com ação judicial antes de 23 de outubro de 2025 tem um argumento para pedir que o pedido seja analisado pelas regras anteriores. Se ele se aplica ao seu processo, porém, depende das datas e do andamento de cada caso.
Vale lembrar a sequência legislativa. A revogação da manifestação de interesse veio com o Decreto-Lei n.º 37-A/2024, de 3 de junho, em vigor desde 4 de junho de 2024. Já a Lei n.º 61/2025, de 22 de outubro, em vigor desde 23 de outubro de 2025, acabou com a AR CPLP para quem entrou em Portugal sem visto de residência.
Aprovação AIMA do Título CPLP: Quem é Afetado e Quem Não é
Esta não é uma notícia que beneficia todo imigrante brasileiro em Portugal. O impacto da aprovação do título de residência CPLP pela AIMA via ação judicial é restrito a um grupo específico, e vale entender esse recorte com precisão.
Quem pode ser beneficiado
- Imigrantes que chegaram a Portugal como turistas e, sem via administrativa, entraram com ação judicial entre junho de 2024 e outubro de 2025 para obter o título de residência CPLP.
- Pessoas que tiveram o pedido indeferido pela AIMA por falta de visto de residência prévio, mas cuja ação é anterior à nova Lei dos Estrangeiros.
- Requerentes cujos advogados apresentaram reclamação administrativa depois do indeferimento, contestando a aplicação da lei nova a processos antigos.
Quem não é afetado por esta decisão
- Quem chegou a Portugal depois de outubro de 2025 sem visto de residência: com a Lei n.º 61/2025, já não é possível pedir a autorização de residência CPLP estando no país como turista.
- Quem ainda não entrou com ação judicial e pretende fazê-lo agora: desde 23 de outubro de 2025, a lei não prevê mais essa regularização para quem entrou sem visto, e uma ação nova não tem a lei antiga a seu favor.
- Quem busca regularização pela via CPLP a partir de agora: o caminho exige entrar em Portugal com visto de residência obtido antes, no consulado. Veja a orientação da AIMA.
Em síntese: as aprovações recentes são o desfecho tardio de processos iniciados sob um regime legal que não existe mais. Não se trata da reabertura de nenhuma via administrativa.
Ações Judiciais contra a AIMA em 2026: O Cenário de Sobrecarga e as Primeiras Aprovações CPLP
Essas aprovações acontecem num sistema judicial sobrecarregado. Em junho de 2025, o Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa tinha seis juízes em exclusivo para 54.381 ações contra a AIMA, segundo a Ordem dos Advogados. Em 2026, uma força-tarefa de 28 juízes proferiu 22.436 decisões em processos contra a AIMA entre abril e junho, partindo de cerca de 124 mil processos pendentes, segundo o Diário de Notícias (14/7/2026). Esses números se referem a todos os tipos de ação contra a AIMA, e não só aos pedidos CPLP.
Segundo o DN Brasil, nos dias anteriores à reportagem várias advogadas passaram a divulgar decisões favoráveis, com emissão do cartão para os imigrantes, com base na legislação anterior.
Para contexto adicional sobre a redistribuição desses processos entre tribunais de todo o país, o governo anunciou medidas de descentralização das ações judiciais contra a AIMA, o que pode agilizar a análise dos casos ainda pendentes. O quadro geral dessas ações também está no artigo sobre as ações judiciais contra a AIMA em 2026.
Próximos Passos Para Quem Tem Processo Judicial CPLP em Aberto na AIMA
Para quem está nessa situação — ação judicial proposta entre junho de 2024 e outubro de 2025 e ainda sem desfecho da aprovação do título CPLP pela AIMA —, há ações concretas a considerar:
- Verificar o status do processo: confirmar com o advogado responsável em que fase está a ação — se houve agendamento de entrevista, se há indeferimento a contestar ou se o processo aguarda decisão.
- Avaliar o fundamento do indeferimento: se a AIMA indeferiu por falta de visto prévio e a ação judicial é anterior a 23 de outubro de 2025, há base para contestar a aplicação da lei nova.
- Apresentar reclamação administrativa: foi o mecanismo usado nos primeiros casos aprovados noticiados. Ela é dirigida à própria AIMA e tem prazos curtos, por isso deve ser preparada por advogado logo após a notificação do indeferimento.
- Acompanhar a evolução das decisões: os primeiros casos de título residência CPLP ação judicial AIMA aprovação, em agosto de 2026, ainda são pontuais. Se mais decisões seguirem a mesma linha, os pedidos restantes ganham força, mas o prazo de cada caso deve ser confirmado com o advogado.
- Consultar a fonte oficial: o portal da AIMA concentra as informações atualizadas sobre concessão e renovação da autorização de residência CPLP.
Para quem não tem ação judicial e chegou a Portugal depois de outubro de 2025, o caminho é outro: a AR CPLP pressupõe hoje a entrada com visto de residência obtido antes da viagem, num posto consular português. As informações sobre os vistos estão no Portal de Vistos do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal, e a diferença entre as duas etapas está explicada no artigo sobre visto e autorização de residência. Para a entrevista na AIMA depois do visto, veja o serviço de pedido de autorização de residência.
Cidadania Portuguesa: Uma Via Paralela Mais Estável
Para brasileiros filhos ou netos de portugueses, há uma via que não depende das mudanças nas regras de imigração: a cidadania portuguesa por atribuição, como a cidadania para neto de português. Quem tem pai, mãe, avô ou avó portugueses pode ter esse direito sem passar pelo ciclo de vistos e autorizações de residência. Com a nacionalidade, a pessoa pode viver e trabalhar em Portugal e nos demais países da União Europeia.
Bisnetos não têm atribuição direta: em regra, o caminho é o pai ou a mãe (neto do português) obter a nacionalidade primeiro. Para saber se há direito pelo lado da família, o teste gratuito de elegibilidade oferece uma análise inicial antes de qualquer decisão.
Perguntas Frequentes sobre Título de Residência CPLP e Ação Judicial na AIMA
O que é o título de residência CPLP e quem tem direito?
É uma autorização de residência específica para cidadãos de países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa — como o Brasil — que querem viver em Portugal. Com a Lei n.º 61/2025, em vigor desde 23 de outubro de 2025, só pode pedi-la quem entra em Portugal com visto de residência obtido antes no consulado; a regularização de quem entrou sem visto deixou de existir.
O que significa a AIMA estar aprovando títulos CPLP por ação judicial?
Significa que ações judiciais propostas entre junho de 2024 e outubro de 2025 — quando a lei ainda permitia a regularização sem visto prévio — começaram a ter desfecho favorável. A tese é que vale a lei em vigor na data da ação, e não a lei nova mais restritiva. Os primeiros cartões emitidos por essa via foram noticiados pelo DN Brasil em 6 de agosto de 2026.
Ainda é possível entrar com ação judicial para obter o título residência CPLP ação judicial AIMA aprovação?
Para casos novos, a ação não tem a mesma base. Desde 23 de outubro de 2025, a Lei n.º 61/2025 deixou de prever a AR CPLP para quem entrou em Portugal sem visto de residência, e as aprovações recentes se referem a ações propostas antes dessa data. Quem quer regularizar a residência a partir de agora precisa obter o visto adequado antes de embarcar.
Meu processo foi indeferido pela AIMA com argumento de ausência de visto prévio. O que fazer?
Se a sua ação judicial é anterior a 23 de outubro de 2025, há fundamento para contestar a aplicação da lei nova, e a reclamação administrativa foi o instrumento usado nos primeiros casos aprovados de título de residência CPLP por ação judicial. Os prazos para reagir a um indeferimento são curtos, por isso procure um advogado logo após a notificação para analisar o caso concreto.
Brasileiro com ascendência portuguesa precisa passar por esse processo de regularização via CPLP?
Não necessariamente. Filhos e netos de portugueses podem ter direito à cidadania portuguesa por atribuição, que permite viver e trabalhar em Portugal e na União Europeia sem depender de visto ou autorização de residência. O pedido corre no Instituto dos Registos e do Notariado (IRN), com regras próprias, e o primeiro passo é verificar a elegibilidade pelos documentos da família.
Um Avanço Pontual no Título Residência CPLP, Não uma Reabertura
As primeiras aprovações de títulos de residência CPLP por ação judicial, noticiadas em agosto de 2026, são um resultado concreto para quem enfrentou um percurso longo e incerto na Justiça portuguesa. Há decisões favoráveis, há cartões sendo emitidos e há um argumento jurídico claro sobre qual lei deve reger esses processos.
Ao mesmo tempo, é preciso não superestimar o alcance da notícia. Não há reabertura de nenhuma via administrativa, e quem não tem ação anterior a outubro de 2025 não é beneficiado. Além disso, o volume de ações ainda pendentes exige acompanhamento próximo de cada processo.
Cada caso tem suas particularidades — começa por uma análise honesta. Se o seu caso envolve ação judicial em aberto contra a AIMA, ou se há dúvida sobre qual caminho seguir — visto, cidadania por descendência ou outra via —, fale com um advogado antes de tomar qualquer decisão.






