Sim, o aposentado brasileiro pode trabalhar em Portugal — inclusive quem chegou com o visto D7: a autorização de residência dá direito a trabalho por conta de outrem ou por conta própria, sem autorização especial (art. 83.º da Lei n.º 23/2007). E o mercado não fecha a porta a quem tem mais idade: em 2025, 16,1% das pessoas entre 65 e 74 anos em Portugal estavam empregadas, acima da média da União Europeia, de 12,0%, segundo o Eurostat.
Antes de procurar vaga, porém, vale entender três coisas: que visto permite chegar, o que acontece com a aposentadoria do INSS e como ficam contribuições e impostos. Este guia responde às três e mostra onde procurar emprego.
Quem chega com o visto D7 pode trabalhar?
Pode, depois de ter a autorização de residência. O visto D7 — de rendimentos próprios — é concedido a quem comprova renda passiva regular, como aposentadoria, aluguéis ou aplicações. O salário não serve para obter o visto, mas, uma vez emitida a autorização de residência pela AIMA, o art. 83.º da Lei de Estrangeiros garante ao titular o exercício de atividade profissional subordinada ou independente, sem distinguir o tipo de residência.
Dois cuidados práticos:
- Espere a autorização de residência. O direito de trabalhar decorre do título emitido pela AIMA, não do visto colado no passaporte.
- Mantenha os meios de subsistência. Na renovação, a AIMA volta a verificar se você tem recursos estáveis e regulares. A referência é o salário mínimo português: em 2026, €920 por mês para o titular, mais 50% para o cônjuge e 30% por filho, conforme a Portaria n.º 1563/2007.
Quem tem dupla cidadania não precisa de visto nem de autorização: trabalha em Portugal como qualquer cidadão português. Os detalhes do D7 estão no guia de requisitos do visto D7 para aposentados.
Trabalhar em Portugal suspende a aposentadoria do INSS?
Depende do tipo de aposentadoria:
- Aposentadoria por idade ou por tempo de contribuição: continua a ser paga. A lei brasileira permite que o aposentado volte a trabalhar (Lei n.º 8.213/91, art. 18, § 2.º).
- Aposentadoria por incapacidade permanente (invalidez): é cancelada se o beneficiário voltar voluntariamente ao trabalho, como o próprio INSS explica.
O Acordo de Segurança Social entre Brasil e Portugal garante que o benefício brasileiro continua sendo pago a quem se muda para Portugal, sem limitação. O mesmo acordo define que quem trabalha num dos países fica sujeito à previdência desse país — ou seja, quem trabalha em Portugal contribui para a Segurança Social portuguesa.
Contribuições e impostos de quem trabalha aposentado
Segurança Social. Em Portugal, pensionistas de velhice que trabalham por conta de outrem têm taxa contributiva reduzida: 7,5% descontados do trabalhador e 16,4% pagos pela empresa, contra 11% do trabalhador no regime geral. Como essa regra foi desenhada para pensionistas do sistema português, confirme na Segurança Social se ela se aplica a quem recebe apenas a aposentadoria do INSS antes de assinar o contrato.
Imposto sobre o rendimento. Quem mora em Portugal passa a ser residente fiscal e declara o rendimento no IRS, com taxas progressivas. Sobre a aposentadoria, a convenção entre Brasil e Portugal para evitar a dupla tributação prevê que pensões pagas pela previdência pública de um país só podem ser tributadas nesse país — o que, em regra, mantém a aposentadoria do INSS tributada no Brasil. O salário recebido em Portugal é tributado em Portugal. O antigo regime de residente não habitual (RNH) foi encerrado para novas inscrições em 2024.
Como cada caso tem combinações diferentes de renda, vale planejar com um contador antes da mudança. Veja também como funciona o imposto de renda do aposentado com visto D7.
Onde procurar emprego sendo aposentado
A procura de trabalho depois dos 60 anos costuma ser mais lenta, sobretudo para quem acaba de chegar e ainda não tem rede de contatos. Estes são os caminhos mais diretos:
- IEFP — Instituto do Emprego e Formação Profissional. É o serviço público de emprego. A inscrição está aberta a quem tem mais de 16 anos e documento que permita residir e trabalhar em Portugal. As vagas ficam no portal IEFPonline.
- Portais de emprego privados e redes profissionais. Buscas por "reformados" (o termo português para aposentados) e por "part-time" ajudam a filtrar vagas compatíveis.
- Trabalho por conta própria. Consultoria, aulas particulares, tradução e serviços na área em que você já atuava. Para faturar, é preciso abrir atividade nas Finanças e emitir recibos verdes — o que exige NIF. Veja o serviço de formalização de atividade profissional.
- Setores com procura sazonal, como turismo, comércio e hotelaria, especialmente em regiões turísticas.
Para ter uma referência de salários, o salário mínimo nacional em 2026 é de €920 por mês, pago em 14 prestações ao ano, segundo o Governo português. O panorama do mercado está no guia sobre trabalhar em Lisboa.
Profissões regulamentadas: diploma e inscrição na Ordem
Médicos, engenheiros, enfermeiros, advogados e outras profissões regulamentadas só podem exercer em Portugal depois do reconhecimento do diploma e da inscrição na respectiva Ordem profissional. O reconhecimento acadêmico é feito pela Direção-Geral do Ensino Superior (DGES), com base no Decreto-Lei n.º 66/2018; o reconhecimento profissional cabe à entidade de cada profissão. Como o processo leva tempo, quem pretende trabalhar na própria área deve começar ainda no Brasil.
Como se preparar antes de se mudar
- Confirme o tipo de aposentadoria no INSS, para saber se trabalhar afeta o benefício.
- Escolha o visto certo. Se a sua renda passiva cobre o mínimo exigido, o visto D7 é o caminho mais comum; se o plano principal é trabalhar, compare com os vistos de trabalho no guia D7 ou D8 para aposentados.
- Organize os documentos profissionais: diplomas, certificados e cartas de referência, apostilados.
- Planeje a parte fiscal com um contador, considerando a aposentadoria e o futuro salário.
- Calcule o orçamento dos primeiros meses sem contar com o salário — a busca pode demorar. Uma referência está no guia de custo de vida em Portugal.
Na Cidadania e Visto, o visto D7 e a autorização de residência são conduzidos por um advogado dedicado, com equipe própria no Brasil e em Portugal. Cada caso tem suas particularidades — se quiser entender qual caminho se encaixa no seu, fale com um especialista.
Perguntas frequentes sobre empregos para aposentados em Portugal
Aposentado brasileiro pode trabalhar em Portugal?
Sim. Quem tem autorização de residência — inclusive a obtida pelo visto D7 — tem direito de trabalhar por conta de outrem ou por conta própria, pelo art. 83.º da Lei n.º 23/2007. Quem tem cidadania portuguesa trabalha sem qualquer autorização.
Quem tem visto D7 pode trabalhar?
Pode, depois de receber a autorização de residência da AIMA. O salário não conta para obter o visto, que exige renda passiva, mas não há proibição de trabalhar depois. Na renovação, é preciso continuar comprovando meios de subsistência.
Perco a aposentadoria do INSS se trabalhar em Portugal?
A aposentadoria por idade ou por tempo de contribuição continua a ser paga. A aposentadoria por incapacidade permanente é cancelada se o beneficiário voltar voluntariamente ao trabalho, em qualquer país.
Quanto ganha um aposentado que trabalha em Portugal?
Depende da função e da carga horária. A referência mínima é o salário mínimo nacional, de €920 por mês em 2026, pago em 14 prestações. Trabalhos a tempo parcial pagam proporcionalmente.
Onde encontrar vagas para aposentados em Portugal?
No IEFP, o serviço público de emprego, onde qualquer pessoa com documento que permita residir e trabalhar pode se inscrever, e em portais privados de emprego. Muitos aposentados também trabalham por conta própria, com atividade aberta nas Finanças.
A aposentadoria do INSS é tributada em Portugal?
Pela convenção entre Brasil e Portugal para evitar a dupla tributação, as pensões pagas pela previdência pública de um país só podem ser tributadas nesse país — em regra, no Brasil. O salário recebido em Portugal é tributado em Portugal. Confirme o seu caso com um contador.






