O investimento imobiliário de brasileiros em Portugal passou a superar o volume aplicado nos Estados Unidos. Segundo dados do Banco Central do Brasil citados pelo jornal Público, em dezembro de 2024 os imóveis de brasileiros em Portugal somavam cerca de US$ 1,45 bilhão, ou 18,7% de todo o investimento imobiliário brasileiro no exterior, contra 15,7% nos EUA. No segmento de luxo, o DN Brasil relatou, em agosto de 2026, que clientes brasileiros estão vendendo imóveis em Miami para reinvestir em Portugal. Entender o que move essa virada ajuda quem pensa em fazer parte desse movimento.
O que os números revelam sobre o investimento imobiliário de brasileiros em Portugal
O dado mais expressivo vem do segmento de luxo. Em 2025, segundo levantamento da Porta da Frente Christie's International Real Estate divulgado em maio de 2026, compradores brasileiros movimentaram 65,8 milhões de euros em imóveis premium e de luxo em Portugal, a faixa entre os 10% e os 2% mais caros do mercado. O valor médio por transação ficou em 1,4 milhão de euros, e o negócio individual mais alto foi a compra de uma moradia em Cascais por 8 milhões de euros.
No mercado como um todo, os números do Instituto Nacional de Estatística (INE) para 2025, divulgados em março de 2026, mostram os compradores brasileiros à frente dos estrangeiros, com 9.808 transações de habitação, alta de 27,5% em relação a 2024 e 23,9% do total comprado por estrangeiros. O mercado de luxo é apenas a camada mais visível de um movimento bem mais amplo.
Os dados do Banco Central do Brasil mostram a inversão da preferência geográfica: embora a comunidade brasileira nos EUA seja maior do que a de Portugal, é em Portugal que está a maior fatia do capital imobiliário brasileiro no exterior. Segundo o próprio Banco Central, a virada aconteceu depois de 2022, quando a migração de brasileiros para Portugal se acelerou. Esse cruzamento sinaliza que a escolha por Portugal é deliberada, e não só consequência de onde os brasileiros já vivem.
Por que Miami ficou para trás: o que impulsiona o investimento imobiliário em Portugal
O deslocamento de capital não é uma abstração estatística. Frederico Abecassis, CEO da Coldwell Banker Portugal, descreveu o fenômeno ao DN Brasil: "Temos clientes brasileiros que estão a vender, em Miami, por exemplo, com colegas nossas, para reinvestir em imóveis em Portugal." Ou seja, parte do movimento vem da venda de ativos nos EUA para reposicionamento em Portugal, e não apenas da chegada de novos compradores.
O perfil desse investidor, segundo João Cília, CEO da Porta da Frente Christie's, também ouvido pelo DN Brasil, é específico: brasileiros de alta renda que muitas vezes já têm segunda residência em lugares como Miami e agora olham para Portugal como alternativa ou como destino principal.
Fatores que pesam na decisão de investimento
- Estabilidade política e jurídica: executivos do setor ouvidos pelo DN Brasil apontam a estabilidade portuguesa como vantagem em relação tanto ao Brasil quanto aos EUA.
- Base na Europa: um imóvel em Portugal pode ser a base para quem planeja morar no país, mas não dá, por si só, direito de residência. A compra de imóveis deixou de valer para o Golden Visa em outubro de 2023 (Lei n.º 56/2023). A residência depende de um visto ou autorização adequada ao perfil, e a nacionalidade, de descendência portuguesa ou de anos de residência legal.
- Custo de financiamento: as taxas de juros do crédito à habitação em Portugal costumam ser bem menores do que as praticadas no Brasil, o que torna o financiamento local atrativo para quem já tem NIF e conta bancária no país. Condições para não residentes variam de banco para banco.
- Concentração em Lisboa e Cascais: segundo a Porta da Frente Christie's, o eixo Lisboa-Cascais reuniu 67% dos contatos de compradores brasileiros no segmento premium em 2025, e Cascais respondeu sozinha por cerca de 42% do volume transacionado.
- Cenário eleitoral brasileiro: executivos do setor esperam que o ano eleitoral de 2026 no Brasil reforce o movimento de diversificação de patrimônio para fora do país.
Como funciona na prática o investimento imobiliário em Portugal para brasileiros
Brasileiros podem comprar imóveis em Portugal sem restrição legal por serem estrangeiros. Há, no entanto, etapas administrativas que precisam ser cumpridas antes da compra. Para quem está planejando essa movimentação, o caminho prático envolve os passos a seguir.
- Obtenção do NIF (Número de Identificação Fiscal): obrigatório para qualquer ato jurídico ou financeiro em Portugal, incluindo o contrato-promessa de compra e venda. É possível obtê-lo à distância, com representante fiscal. O serviço de emissão de NIF em Portugal é o ponto de partida para quem ainda não tem o número.
- Abertura de conta bancária em Portugal: necessária para movimentar os recursos da compra. Cada banco tem exigências próprias para não residentes, e o serviço de abertura de conta bancária em Portugal ajuda nessa etapa.
- Verificação jurídica do imóvel: conferência da caderneta predial, da certidão permanente do registo predial, da autorização de utilização e da ausência de ónus ou hipotecas. É uma etapa importante para evitar surpresas depois de assinar o Contrato-Promessa de Compra e Venda (CPCV).
- Custos tributários: a compra está sujeita ao IMT (Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis), ao Imposto do Selo e às despesas de escritura e registo. As taxas variam conforme o valor e o uso do imóvel; confira os valores atualizados no Portal das Finanças antes de calcular o custo total.
- Representação e residência fiscal: quem não é residente em Portugal nem na União Europeia precisa, em regra, de representação fiscal em Portugal, que pode ser dispensada com a adesão às notificações eletrónicas do Portal das Finanças. Quem passa a morar em Portugal precisa atualizar a morada fiscal na Autoridade Tributária e, no Brasil, avaliar a declaração de saída definitiva à Receita Federal.
Opções para quem vai além do imóvel
Para quem planeja operar um negócio em Portugal, o visto D2 para empreendedores é o caminho regulatório adequado. Ele exige plano de negócios, comprovação de capacidade financeira e formalização da atividade em Portugal, sem valor mínimo de capital fixado em lei, com análise caso a caso pelo consulado. Os requisitos devem ser confirmados no portal de vistos do Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal.
Por outro lado, para quem é filho ou neto de português, a cidadania portuguesa por descendência dispensa o visto e dá direito de morar, trabalhar e empreender em qualquer país da União Europeia. Confira também uma análise comparativa entre imóveis, fundos e negócios em Portugal e o guia sobre como comprar imóvel em Portugal sendo estrangeiro.
Perspectivas para 2026: o que esperar do mercado imobiliário português para brasileiros
Os operadores do mercado de luxo ouvidos pelo DN Brasil esperam que o movimento continue em 2026. O argumento é duplo: de um lado, o ano eleitoral no Brasil tende a aumentar a disposição de empresários e investidores em diversificar patrimônio fora do país; de outro, a estabilidade institucional portuguesa funciona como âncora para capital de longo prazo.
Segundo o balanço de 2025 da Portugal Sotheby's International Realty, divulgado pelo Diário Imobiliário, os compradores internacionais responderam por 44% das transações da rede, com destaque para norte-americanos (10%), britânicos (8%) e brasileiros (6%). O dado indica que o fenômeno não é pontual: há demanda estruturada, de quem busca segunda residência e de quem planeja mudança definitiva.
Para o investidor que acompanha esse movimento, a sequência lógica começa antes da busca pelo imóvel: regularização fiscal em Portugal, análise do perfil migratório e, para quem tem pai ou avô português, verificação da elegibilidade para a cidadania por descendência. Cada uma dessas etapas tem implicações jurídicas que afetam o custo, o prazo e a segurança da operação.
A Cidadania e Visto é uma assessoria em cidadania portuguesa e vistos para Portugal, com advogados inscritos na OAB e na Ordem dos Advogados de Portugal. Cada caso tem suas particularidades — começa por uma análise honesta.
Perguntas Frequentes sobre investimento imobiliário de brasileiros em Portugal
Qual o volume do investimento imobiliário de brasileiros em Portugal em 2025?
Segundo a Porta da Frente Christie's International Real Estate, compradores brasileiros movimentaram 65,8 milhões de euros no segmento premium e de luxo em 2025, com valor médio de 1,4 milhão de euros por transação. No mercado como um todo, o Instituto Nacional de Estatística (INE) registrou 9.808 compras de habitação por brasileiros em 2025, alta de 27,5% sobre 2024, o que os colocou à frente dos demais compradores estrangeiros.
O investimento imobiliário de brasileiros em Portugal já supera o dos EUA?
Sim, segundo dados do Banco Central do Brasil citados pelo jornal Público: em dezembro de 2024, os imóveis de brasileiros em Portugal somavam cerca de US$ 1,45 bilhão, 18,7% de todo o investimento imobiliário brasileiro no exterior, contra 15,7% (cerca de US$ 1,21 bilhão) nos Estados Unidos. O dado chama atenção porque a comunidade brasileira nos EUA é maior do que a que vive em Portugal.
Brasileiro pode comprar imóvel em Portugal sem ter residência ou visto?
Sim. Não há restrição legal à compra de imóveis em Portugal por estrangeiros, com ou sem visto ou residência. É preciso, porém, obter o NIF (Número de Identificação Fiscal) antes da compra e, em regra, ter representante fiscal enquanto não for residente, salvo adesão às notificações eletrónicas das Finanças. A compra não dá direito de residência: quem quer morar no país precisa de um visto adequado ao perfil, como D7 ou D2.
Quais regiões de Portugal concentram o investimento imobiliário de brasileiros de alta renda?
Segundo a Porta da Frente Christie's, o eixo Lisboa-Cascais reuniu 67% dos contatos de compradores brasileiros no segmento premium em 2025. Cascais se destacou em volume, com cerca de 42% do total transacionado por brasileiros nesse segmento, incluindo a maior operação do ano, uma moradia vendida por 8 milhões de euros.
Qual o caminho para um brasileiro empreender em Portugal além de comprar imóvel?
Para quem não tem cidadania europeia e quer operar um negócio em Portugal, o visto D2 (empreendedor) é o instrumento adequado. Ele exige plano de negócios, comprovação de capacidade financeira e formalização da atividade em Portugal, sem valor mínimo de capital fixado em lei. Para filhos e netos de portugueses, a cidadania por descendência dispensa qualquer visto e garante o direito de se estabelecer em toda a União Europeia. Os requisitos do visto devem ser confirmados no portal de vistos do Ministério dos Negócios Estrangeiros (vistos.mne.gov.pt).






