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Cidadania Portuguesa

Antepassado português que se naturalizou brasileiro: ele ainda transmite a nacionalidade?

Antepassado português que se naturalizou brasileiro: ele ainda transmite a nacionalidade?
Fabio Pereira
Artigo deFabio Pereira

Coordenador Comercial, formado em Marketing e especialista em nacionalidade portuguesa e imigração para Portugal. Reside em Portugal desde 2019, unindo conhecimento técnico à experiência prática e ao conhecimento da realidade portuguesa. Integra a equipe da Cidadania e Visto, assessoria especializada com mais de 5.000 processos concluídos e avaliação de 5,0 estrelas no Google.

Se você tem um antepassado naturalizado brasileiro e quer saber se ainda tem direito à cidadania portuguesa, a resposta depende de uma data crucial: outubro de 1981. Antes disso, a Lei n.º 2098, de 29 de julho de 1959, previa a perda automática da nacionalidade portuguesa para quem adquirisse voluntariamente outra cidadania — incluindo a brasileira. Entender essa regra é o ponto de partida para qualquer descendente que pesquisa antepassado naturalizado brasileiro cidadania portuguesa.

Depois de outubro de 1981, a naturalização no estrangeiro deixou de ser causa de perda automática, segundo a Lei n.º 37/81 (Lei da Nacionalidade), na redação vigente. Essa divisão temporal define se o vínculo com Portugal foi mantido — e, consequentemente, se você herda o direito à nacionalidade portuguesa pelo seu antepassado que se naturalizou brasileiro.

Por que outubro de 1981 é o divisor de águas para o antepassado naturalizado brasileiro e a cidadania portuguesa?

A Lei n.º 37/81, de 3 de outubro de 1981, trouxe uma mudança estrutural. Após a Lei 37/81, a naturalização no estrangeiro só conduz à perda da nacionalidade portuguesa se o titular declarar expressamente que não quer ser português. Ou seja, para naturalizações ocorridas a partir dessa data, o seu antepassado conservou a nacionalidade portuguesa, salvo declaração expressa em contrário.

Já para quem se naturalizou antes de outubro de 1981, a situação era diferente. Anteriormente à data da entrada em vigor da Lei da Nacionalidade n.º 37/81, de 3 de outubro, a perda do vínculo nacional podia ocorrer automaticamente por efeito da lei — nos seguintes casos: perdeu automaticamente a condição de português aquele que, sendo maior, adquiriu voluntariamente uma cidadania estrangeira, conforme a Base XVIII, alínea a) da Lei n.º 2098, de 29 de julho de 1959, e o artigo 22.º, n.º 1 do Código Civil de 1867.

Na prática: se o seu avô ou bisavô se naturalizou brasileiro antes de outubro de 1981, é possível que tenha perdido a condição de português naquele momento. A consequência direta é que ele só transmitiu esse vínculo aos filhos nascidos antes da naturalização. Portanto, os filhos nascidos depois não seriam portugueses de origem por essa via — ao menos não pela linha direta do pai ou da mãe.

Antepassado naturalizado brasileiro antes de 1981: ainda há caminho para a cidadania portuguesa?

Em termos práticos: se a perda da nacionalidade do seu antepassado nunca foi registada formalmente no registro civil português, ele voltou a ser português de pleno direito com a entrada em vigor da Lei 37/81 — sem precisar fazer nada. Se foi registada, seria necessário apresentar uma declaração para readquirir o status. Dessa forma, o percurso muda completamente dependendo do que os registros portugueses mostram.

Isso muda tudo para o descendente. Se o seu avô recuperou a nacionalidade portuguesa por esse mecanismo, a prole nascida após esse momento passa a ser descendente de português. Portanto, esses herdeiros têm direito à cidadania portuguesa pela via do artigo 1.º, n.º 1, al. c) da Lei da Nacionalidade.

Essa verificação é feita junto ao Registo Civil Português, especificamente na Conservatória dos Registos Centrais (CRC) em Lisboa. É lá que se concentram os assentos de perda, reaquisição e averbamentos de nacionalidade — um acervo essencial para qualquer análise genealógica. Um advogado com acesso ao sistema pode confirmar se há ou não averbamento no assento de nascimento do seu antepassado naturalizado brasileiro e o impacto disso na cidadania portuguesa.

Pode haver. A análise passa pela avaliação de dois pontos centrais. Primeiro, é necessário verificar se a perda da nacionalidade do antepassado foi de fato registada. Não sendo o caso, o art. 31.º restaura o vínculo automaticamente, como explicado acima. Segundo, é preciso apurar se o próprio antepassado ou seu filho direto requereu a reaquisição em vida — o que abre o pedido para a geração seguinte como filho de português.

Além disso, para os filhos que já eram nascidos antes da naturalização, eles são portugueses de origem desde o nascimento — independentemente do que aconteceu depois com o pai ou a mãe.

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Como saber se há registro de perda da nacionalidade do seu antepassado naturalizado brasileiro?

Depende do status da nacionalidade do avô no momento do nascimento do pai. Se o avô havia recuperado o vínculo português — por efeito do art. 31.º ou por declaração —, o pai é filho de português e tem direito. Por outro lado, se o avô havia perdido essa condição e não a readquirido até o nascimento do pai, a via direta não existe. Nesse caso, podem existir alternativas, como o acesso pela linha do neto (art. 1.º, n.º 1, al. d), que devem ser avaliadas por especialista.

Se não há averbação da perda de nacionalidade no assento do português, significa que ele nasceu e morreu português. De fato, assim como a pessoa não pode adquirir nacionalidade portuguesa depois de falecida, também não a perde.

O que é a certidão negativa de naturalização e quando ela entra no processo de cidadania portuguesa?

A certidão negativa de naturalização (CNN) é o documento brasileiro que comprova que uma pessoa não se naturalizou como cidadão do Brasil. O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) disponibiliza esse serviço gratuitamente a qualquer pessoa que queira verificar se há registro de naturalização em seu nome ou de terceiros, por meio do site DataNaturalização.

No contexto da cidadania portuguesa, a CNN pode ser exigida quando há dúvida sobre se o antepassado português se naturalizou no Brasil. A lógica é simples: se a CNN confirma que não há registro de naturalização, o antepassado permanece, para os registros brasileiros, como estrangeiro. Assim, o processo de cidadania segue sem o obstáculo da perda anterior.

Como emitir a certidão negativa de naturalização (CNN) passo a passo

Desde 3 de setembro de 2025, qualquer interessado pode solicitar a certidão positiva ou negativa de naturalização diretamente pela internet, através do sistema Data Naturalização, de forma rápida, segura e totalmente digital. O serviço é gratuito.

  1. Acesse datanaturalizacao.mj.gov.br com login pelo Gov.br (CPF e senha).
  2. Selecione "Solicitar Certidão de Naturalização".
  3. Preencha o nome completo do antepassado, data de nascimento, filiação e país de origem. É possível inserir até 5 variações de nome na solicitação. Se não houver coincidência, o sistema emite uma certidão negativa para cada variação de nome informada.
  4. Se os dados corresponderem a um registro de naturalização, o sistema emite a certidão positiva automaticamente. Caso contrário, gera uma certidão negativa.
  5. Baixe o PDF, que já inclui código de autenticidade.

Um detalhe importante: a CNN cobre apenas os registros do banco de dados do MJSP. Se o seu antepassado se naturalizou de forma informal ou antes de haver registros digitalizados, pode haver lacunas. Nesse caso, o processo de cidadania exige avaliação jurídica mais cuidadosa. Por isso, um diagnóstico antes de protocolar qualquer pedido é fundamental para evitar retrabalho.

Tabela: o impacto da naturalização do antepassado brasileiro sobre a transmissão da cidadania portuguesa

Situação do antepassado Consequência para a nacionalidade Direito dos filhos
Naturalizou-se antes de out/1981 e há registro definitivo de perda no CRC Perdeu a nacionalidade; pode readquiri-la por declaração (art. 31.º) Filhos nascidos antes da naturalização têm direito; filhos nascidos depois, só após reaquisição do pai/mãe
Naturalizou-se antes de out/1981 e não há registro definitivo de perda no CRC Readquiriu a nacionalidade automaticamente com a Lei 37/81 (art. 31.º, al. a) Todos os filhos têm direito à cidadania como filhos de português
Naturalizou-se após out/1981 sem declaração expressa de renúncia Nunca perdeu a nacionalidade portuguesa Todos os filhos têm direito à cidadania como filhos de português
Fez declaração formal de renúncia à nacionalidade portuguesa Perdeu a nacionalidade; pode readquirir por declaração (art. 31.º, al. b) Dependente da reaquisição; avaliar caso a caso
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Documentos necessários quando o antepassado se naturalizou brasileiro: o que reunir para a cidadania portuguesa

Se o seu processo envolve um antepassado que se naturalizou brasileiro, a documentação padrão se amplia. Além da certidão de nascimento do antepassado português e da cadeia de certidões até você, o processo costuma exigir os seguintes documentos:

  • Certidão de nascimento do antepassado português — emitida em Portugal. Se o antepassado nasceu antes de 1911, uma certidão de batismo pode substituir a de nascimento civil.
  • Certidão de naturalização brasileira (positiva, se houver) ou certidão negativa de naturalização (CNN) — ambas emitidas via DataNaturalização do MJSP, gratuitamente.
  • Certidão de nascimento do requerente (você) e dos elos intermediários (pai, mãe), com apostila quando necessário.
  • Verificação de averbamentos no CRC português — feita diretamente junto às conservatórias ou via advogado com acesso ao sistema.
  • Documentos de identificação do requerente e dos representantes legais, quando menor.

Se algum documento estiver faltando ou houver registros incompletos, o serviço de busca de documentos em Portugal pode localizar certidões de antepassados diretamente em cartórios e arquivos portugueses.

E se o filho do antepassado naturalizado brasileiro nasceu depois da naturalização? Há caminho para a cidadania portuguesa?

Pode haver. O caminho passa pela avaliação de dois pontos. Primeiro, é necessário verificar se a perda da nacionalidade do antepassado foi de fato registada. Se não foi, o art. 31.º devolve a nacionalidade automaticamente, como explicado acima. Segundo, é preciso verificar se o próprio antepassado ou seu filho direto requereu a reaquisição em vida — o que abre o pedido para a geração seguinte como filho de português.

A reaquisição de cidadania portuguesa pode ser feita pelo próprio naturalizado ainda em vida, por declaração junto ao IRN — Instância de Registos e Notariado — ou consulado português. Uma vez concluída a reaquisição, a geração seguinte pode pedir como filho de português.

Outra rota possível, dependendo da cadeia genealógica, é o pedido como neto de português, previsto no art. 1.º, n.º 1, al. d) da Lei n.º 37/81. No entanto, essa alternativa tem requisitos adicionais e prazos próprios. Cada situação exige análise individualizada.

A Cidadania e Visto é uma assessoria em cidadania portuguesa e vistos para Portugal, com advogados inscritos na OAB (Brasil) e na Ordem dos Advogados de Portugal, estrutura própria nos dois países. Em casos como esse — onde a naturalização do antepassado gera dúvida sobre a cadeia de transmissão —, o diagnóstico de elegibilidade antes de qualquer protocolo evita meses de retrabalho e custo desnecessário.

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Perguntas Frequentes sobre antepassado naturalizado brasileiro e cidadania portuguesa

Meu avô se naturalizou brasileiro. Ele perdeu a cidadania portuguesa?

Depende de quando aconteceu. Se foi antes de outubro de 1981 e há registro definitivo de perda no sistema português, ele perdeu. Contudo, ele pode ter readquirido automaticamente pela regra do art. 31.º da Lei n.º 37/81, se esse registro nunca foi lavrado em definitivo. Se a naturalização ocorreu depois de outubro de 1981, ele nunca perdeu a cidadania portuguesa, salvo declaração expressa de renúncia.

O que é a certidão negativa de naturalização e onde emitir?

É o documento brasileiro que prova que uma pessoa não se naturalizou como cidadão do Brasil. O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) disponibiliza o serviço gratuitamente pelo site DataNaturalização. O pedido é feito com login Gov.br, sem custo, e o sistema gera a certidão automaticamente quando não há registro de naturalização.

Meu avô se naturalizou antes de 1981, mas nunca comunicou Portugal. Ele ainda era português?

Possivelmente sim. A perda de nacionalidade pela lei antiga exigia que o registro definitivo fosse lavrado no sistema português. Se isso nunca aconteceu, o art. 31.º, al. a) da Lei n.º 37/81 devolve a nacionalidade portuguesa de forma automática, sem necessidade de declaração. A verificação é feita junto à Conservatória dos Registos Centrais em Lisboa.

Se meu pai nasceu depois que meu avô se naturalizou, meu pai ainda tem direito à cidadania portuguesa?

Depende do status da nacionalidade do avô no momento do nascimento do pai. Se o avô havia recuperado a nacionalidade (por efeito do art. 31.º ou por declaração), o pai é filho de português e tem direito. Por outro lado, se o avô havia perdido e não readquirido até o nascimento do pai, o caminho direto não existe. Nesse caso, pode haver outras vias, como a via do neto (art. 1.º, n.º 1, al. d), que devem ser avaliadas por especialista.

Quanto tempo demora o processo de cidadania por filho de português nesse cenário?

O tempo de análise varia conforme o órgão de protocolo e a modalidade (transcrição ou inscrição, maior ou menor de idade). Segundo o quadro de setembro/2026 do IRN, no Arquivo Central do Porto (ACP) o período de análise para filho de português maior (transcrição) é de 15 meses. Nos Registos Centrais em Lisboa, essa espera chega a 53 meses. Portanto, a escolha do órgão influencia significativamente o tempo total do processo.

É possível fazer a reaquisição da cidadania portuguesa para um antepassado já falecido?

Não. A declaração de reaquisição prevista no art. 31.º da Lei n.º 37/81 precisa ser feita em vida pelo próprio titular da nacionalidade. Se o antepassado já faleceu sem tê-la requerido, a situação se transforma. Nesse caso, o descendente precisa demonstrar que a perda nunca foi registada formalmente em Portugal — o que, em muitos casos, resolve a questão. Além disso, é possível buscar outras vias de acesso à cidadania portuguesa conforme a posição na linha genealógica.

Cada caso tem particularidades que exigem análise antes de qualquer decisão. Se você identificou que tem um antepassado naturalizado brasileiro e ainda não sabe como isso afeta o seu pedido de cidadania portuguesa, o passo mais seguro é realizar um diagnóstico com quem conhece os dois lados do processo. Afinal, a rota mais eficiente é a que evita o retrabalho. Solicite uma análise gratuita com a equipe da Cidadania e Visto e descubra qual é a melhor estratégia para o seu perfil.

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