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Judeus sefarditas: quem são, a história em Portugal e a presença no Brasil

Judeus sefarditas: quem são, a história em Portugal e a presença no Brasil
Fabio Pereira
Artigo deFabio Pereira

Coordenador Comercial, formado em Marketing e especialista em nacionalidade portuguesa e imigração para Portugal. Reside em Portugal desde 2019, unindo conhecimento técnico à experiência prática e ao conhecimento da realidade portuguesa. Integra a equipe da Cidadania e Visto, assessoria especializada com mais de 5.000 processos concluídos e avaliação de 5,0 estrelas no Google.

Os judeus sefarditas são os descendentes dos judeus que habitavam a Península Ibérica — chamada em hebraico de Sefarad — e que foram expulsos ou forçados a se converter ao catolicismo no final do século XV. Primeiro, a Espanha decretou a expulsão em 1492. Depois, Portugal fez o mesmo em 1496, segundo o decreto assinado por D. Manuel I em 5 de dezembro daquele ano, conforme registrado nas fontes históricas portuguesas. Para brasileiros com essa ascendência, entender quem são os judeus sefarditas é essencial — especialmente agora que a via especial de cidadania portuguesa para esse grupo foi encerrada em 2026.

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Essa história importa hoje porque a Lei Orgânica n.º 1/2026, que alterou a Lei n.º 37/81 (Lei da Nacionalidade), encerrou a via especial de naturalização para novos pedidos sefarditas a partir de 19 de maio de 2026. Portanto, entender quem são esses descendentes é o primeiro passo para saber se você ainda tem algum caminho aberto.

Quem são os judeus sefarditas e de onde vem o nome?

O nome "sefardita" vem da palavra hebraica Sefarad, que designava a Península Ibérica. Os sefarditas, ou sefaraditas, são a população de diáspora de judeus que vivia em Portugal e Espanha até as expulsões decretadas pelos Reis Católicos em 1492 e por D. Manuel I de Portugal em 1496.

Os judeus sefaraditas habitavam originalmente a Península Ibérica há muitos séculos. De fato, o nome desse grupo tem relação direta com esse território: significa naturais de Sefarad, o nome geográfico hebraico para essa região. Além disso, há registros que atestam a presença judaica nessas terras desde a Antiguidade. Ou seja, a minoria judaica já existia no território que se tornou Portugal desde o tempo do Império Romano.

Ao longo da Idade Média, as comunidades judaicas ibéricas desenvolveram uma cultura própria, com produção literária, filosófica e científica em hebraico, árabe e nas línguas locais. Esse florescimento chegou ao fim de forma abrupta e violenta no final do século XV.

A saída de Portugal em 1496: o que aconteceu com os judeus sefarditas?

A história da expulsão começa, de fato, na Espanha. Em 1492, o Édito de Granada dos Reis Católicos decretou a expulsão dos judeus da Espanha. Em seguida, em 1496, o rei D. Manuel I de Portugal promulgou uma ordem semelhante.

O contexto lusitano tem uma particularidade: a decisão de D. Manuel I não foi espontânea. Com sua ascensão ao trono em 1495 e o anúncio do casamento com a princesa Isabel da Espanha, a situação dos judeus sofreu uma alteração radical. O contrato matrimonial incluía uma cláusula que exigia a expulsão dos hereges do reino. Ainda assim, o rei tentou convencer a princesa a reconsiderar, pois precisava dos capitais e do conhecimento técnico dos judeus para o seu projeto de desenvolvimento de Portugal. Contudo, não conseguiu.

Em 5 de dezembro de 1496, D. Manuel I assinou o decreto de expulsão, concedendo prazo até 31 de outubro de 1497 para que os judeus optassem pela conversão ou pelo desterro. Na prática, o monarca inicialmente permitiu que essa comunidade se estabelecesse em Portugal. No entanto, em 1497, sob pressão política, ordenou a conversão forçada de todos os que professavam a fé judaica no país.

Os que se converteram para permanecer ficaram conhecidos como cristãos-novos. Os judeus sefarditas que não fugiram deveriam se converter ao catolicismo. Com essa conversão forçada, passaram a ser chamados de cristãos-novos. Muitos mantiveram a fé judaica em segredo, correndo risco permanente diante da Inquisição.

O destino dos que partiram

Grande parte da comunidade judaica ibérica escolheu emigrar. Os principais destinos foram o Norte de África, o Império Otomano, outras partes da Europa Ocidental e Meridional, e as colônias espanholas e portuguesas na América.

Após o Édito de Alhambra de 1492 e a perseguição pela Inquisição Espanhola, um número muito grande de judeus espanhóis procurou refúgio em Portugal. Assim, esses refugiados se juntaram às comunidades judaicas portuguesas. Com a expulsão portuguesa de 1496, muitos voltaram a partir — desta vez em direção definitiva à diáspora.

A presença dos judeus sefarditas no Brasil

O Brasil ocupa um lugar singular na história dos judeus sefarditas no mundo. A imigração judaica no Brasil foi um movimento migratório que teve início com a colonização do Brasil, quando judeus sefarditas e cristãos-novos se estabeleceram na colônia.

No século XVI chegaram os primeiros grupos de judeus ao Brasil. Eram judeus sefarditas — alguns recém-convertidos, chamados cristãos-novos — que vieram fugindo da perseguição promovida pela Inquisição Católica Portuguesa, que os expulsou da Península Ibérica.

No Brasil, o número de cristãos-novos era tão grande que, devido à ausência de outros portugueses alfabetizados, muitos deles ocupavam cargos oficiais.

Recife: a primeira comunidade judaica organizada das Américas

O Recife ocupa lugar singular na história judaica brasileira por ter abrigado, durante o domínio neerlandês, uma comunidade judaica organizada, com sinagogas, cemitério e instituições religiosas. Entre 1630 e 1654, a tolerância religiosa da administração holandesa permitiu a presença pública de judeus sefaraditas e cristãos-novos vindos de Amsterdã, do Brasil e da Península Ibérica.

Centenas de judeus de origem portuguesa que escaparam para a Holanda acompanharam o conquistador Maurício de Nassau, que no nordeste brasileiro fundou a cidade de Maurícia, hoje Recife. Com o fim do domínio holandês em 1654, essa comunidade se dispersou novamente. Um grupo retornou à Europa, outro seguiu para o Caribe e América do Norte, e uma parcela permaneceu em território brasileiro.

A chegada pelo norte: Amazônia e Marrocos

Vindos principalmente do Marrocos, norte da África — assolado por doenças, guerras, pobreza e perseguições —, os judeus sefarditas aportaram em Manaus e Belém do Pará desde as primeiras décadas do século XIX.

Alguns imigrantes judeus sefarditas começaram a chegar ao Brasil no século XIX, vindos principalmente do Marrocos. Estabeleceram-se na Amazônia, principalmente em Belém, onde fundaram a mais antiga sinagoga ainda em funcionamento no Brasil.

Na Amazônia, especialmente em Belém, Manaus, Santarém e outras cidades ribeirinhas, a imigração judaica moderna teve forte componente sefaradita e marroquino. Ademais, esses grupos mantiveram práticas religiosas, redes de parentesco e instituições comunitárias em ambiente de grande dispersão geográfica.

Cristãos-novos no interior do Nordeste

Entre o fim do Quinhentos e meados do século XVII, vários cristãos-novos prosperaram a ponto de se tornar senhores de engenho, fazendo casamentos com cristãos-velhos e integrando a aristocracia açucareira do Nordeste. Com o passar das gerações, os costumes sefarditas foram se mesclando à cultura local, preservados de forma velada em práticas domésticas, hábitos alimentares e expressões linguísticas. Pesquisadores identificam traços desse legado em diversas regiões do Nordeste brasileiro até hoje.

Cidadania portuguesa para descendentes de judeus sefarditas: o que mudou em 2026

Durante anos, Portugal ofereceu uma modalidade especial de naturalização para descendentes de judeus sefarditas, reconhecendo a expulsão do século XV como uma injustiça histórica. Essa via foi criada pela Lei Orgânica n.º 1/2013. Além disso, permitia a naturalização sem exigência de residência prévia em Portugal, bastando comprovar ascendência sefardita portuguesa e ligação com uma comunidade judaica de origem portuguesa.

No entanto, a Lei Orgânica n.º 1/2026, em vigor desde 19 de maio de 2026, encerrou essa modalidade para novos pedidos. Segundo o art. 7.º da própria LO 1/2026, quem havia protocolado pedido até 18 de maio de 2026 continua tendo o processo analisado pelas regras anteriores. Quem não protocolou até essa data não pode mais usar essa via.

Para esses processos ainda em curso, os prazos de análise são longos. Segundo o quadro de prazos de agosto/2026:

  • No Arquivo Central do Porto: o prazo de análise para descendentes de judeus sefarditas é de 50 meses.
  • Nos Registos Centrais (Lisboa): o prazo de análise é de 62 meses.

Esses números reforçam a importância de ter o processo bem instruído desde o início. Por isso, uma documentação incompleta pode gerar exigências que atrasam ainda mais um processo já demorado.

Como funcionava a via sefardita: o que era exigido

Para quem protocolou antes de 19 de maio de 2026, o processo segue as regras anteriores. Os elementos centrais de comprovação eram:

  1. Certificado de comunidade judaica portuguesa: emitido pela Comunidade Israelita de Lisboa (CIL) ou pela Comunidade Israelita do Porto (CIP), atestando a tradição de pertença a uma comunidade sefardita de origem portuguesa.
  2. Pesquisa genealógica: demonstração da ascendência por linha reta ou colateral a partir de um ancestral pertencente à comunidade sefardita portuguesa — sem limite de geração.
  3. Ligação efetiva com Portugal: comprovação por meio de elementos objetivos como apelido, idioma familiar, genealogia, imóveis em Portugal ou viagens regulares ao país.
  4. Idoneidade criminal: ausência de condenação com pena de prisão igual ou superior a três anos por crime punível segundo a lei portuguesa.

Vale destacar: o requerente não precisava ser judeu praticante. Bastava que o ancestral fosse de origem sefardita portuguesa e que isso pudesse ser comprovado documentalmente.

Se a via sefardita fechou, quais caminhos restam para brasileiros?

Para quem descobriu agora a ascendência sefardita mas não protocolou o pedido até 18 de maio de 2026, a via específica está encerrada. Isso, porém, não significa que a cidadania portuguesa seja impossível — apenas que o caminho é diferente.

As vias mais comuns para brasileiros com ascendência portuguesa continuam abertas:

  • Filho de português: pela atribuição prevista no art. 1.º, n.º 1, al. c) da Lei n.º 37/81. Não exige residência em Portugal. Conheça o serviço de cidadania para filho de português.
  • Neto de português: pela atribuição prevista no art. 1.º, n.º 1, al. d) + n.º 3 da Lei n.º 37/81 (acrescentado pela LO 1/2026). Exige o cumprimento de requisitos do art. 6.º. Veja o serviço de cidadania para neto de português.
  • Naturalização por residência: para quem vive legalmente em Portugal por período suficiente, conforme o art. 6.º, n.º 1, al. b) da Lei n.º 37/81 — sete anos de residência legal para cidadãos de países da CPLP, como o Brasil.

Cada caso tem especificidades. Se você tem sobrenomes de origem judaica portuguesa na família, vale investigar também se há ascendência portuguesa direta que permita usar as vias acima. O estudo genealógico avançado pode revelar conexões que não são óbvias à primeira vista, inclusive identificando um avô português nos registros. Importante destacar: para bisnetos de português, não existe atribuição de nacionalidade — o Art. 6.º, n.º 8 prevê uma naturalização que o Governo "pode conceder", com 5 anos de residência legal em Portugal, mas sem regulamentação em setembro/2026.

Como saber se você tem ascendência sefardita ou portuguesa

A pesquisa genealógica para identificar descendência sefardita costuma ser complexa por um motivo específico: muitos cristãos-novos adotaram sobrenomes cristãos ao se converter, tornando a rastreabilidade mais difícil. Sobrenomes de santos, de plantas ou de ofícios eram comuns entre aqueles que queriam apagar os rastros da origem judaica para escapar da Inquisição.

Ainda assim, existem pistas que orientam a pesquisa:

  • Sobrenomes históricos de famílias sefarditas portuguesas conhecidas (como Mendes, Nunes, Rodrigues, Henriques, entre outros — mas atenção: sobrenome sozinho não comprova ascendência).
  • Registros paroquiais que mencionem "cristão-novo" ou "converso" na qualificação do antepassado.
  • Processos inquisitoriais nos arquivos da Torre do Tombo, em Lisboa, que registraram nomes de acusados de judaizar.
  • Documentos civis de comunidades no Norte e Nordeste do Brasil, onde a presença sefardita foi mais intensa.

Sobre a Cidadania e Visto

Cidadania e Visto é uma assessoria em cidadania portuguesa e vistos para Portugal. A empresa conta com advogados inscritos na OAB (Brasil) e na Ordem dos Advogados de Portugal, estrutura própria nos dois países e mais de processos concluídos desde 2019. Além disso, a equipe interna de pesquisa genealógica localiza certidões e documentos tanto em arquivos portugueses quanto brasileiros. Dessa forma, o cliente só avança para as etapas seguintes depois de um diagnóstico honesto sobre a viabilidade do caso.

Se você suspeita de ascendência sefardita ou portuguesa mas não sabe por onde começar, o teste de cidadania gratuito ajuda a identificar qual caminho faz mais sentido para o seu perfil antes de qualquer investimento documental.

Perguntas Frequentes sobre judeus sefarditas e cidadania portuguesa

Quem são os judeus sefarditas?

São os descendentes dos judeus que viviam na Península Ibérica — Portugal e Espanha — e foram expulsos ou forçados a se converter ao catolicismo no final do século XV. O nome vem da palavra hebraica Sefarad, que designava a Península Ibérica. Após as expulsões de 1492 (Espanha) e 1496 (Portugal), esses judeus se dispersaram pela África do Norte, Império Otomano, Europa Ocidental e pelas colônias americanas, incluindo o Brasil.

Ainda é possível obter cidadania portuguesa por descendência sefardita em 2026?

Para novos pedidos, não. A Lei Orgânica n.º 1/2026, em vigor desde 19 de maio de 2026, encerrou a via especial de naturalização para descendentes de judeus sefarditas. Quem protocolou o pedido até 18 de maio de 2026 continua sendo analisado pelas regras anteriores (art. 7.º da LO 1/2026). Quem não protocolou até essa data precisa avaliar outras vias de cidadania portuguesa, como a de filho ou neto de português.

Qual era o prazo de análise para processos sefarditas no IRN?

Para processos sefarditas protocolados antes de 19 de maio de 2026 e que ainda estão em análise, os prazos segundo o quadro de agosto/2026 são: 50 meses no Arquivo Central do Porto e 62 meses nos Registos Centrais em Lisboa. Acompanhe os prazos atualizados na página de prazos da Cidadania e Visto.

O requerente precisava ser judeu praticante para solicitar a cidadania pela via sefardita?

Não. A lei não exigia que o requerente fosse judeu praticante ou que professasse a fé judaica. Era necessário que o ancestral fosse de origem sefardita portuguesa e que isso pudesse ser comprovado documentalmente — por genealogia, apelido, idioma familiar ou outros elementos objetivos. O requerente poderia ser católico ou de qualquer outra religião.

Como os sefarditas chegaram ao Brasil e onde se estabeleceram?

Os primeiros sefarditas chegaram ao Brasil no século XVI, muitos como cristãos-novos fugindo da Inquisição. A comunidade mais organizada se formou em Recife durante o domínio holandês, entre 1630 e 1654. No século XIX, uma nova leva chegou pelo norte do país, vinda principalmente do Marrocos, estabelecendo-se em Belém e Manaus. Ao longo dos séculos, cristãos-novos se espalharam pelo Nordeste e integraram a sociedade local, muitas vezes preservando costumes judaicos de forma velada.

Próximo passo: diagnóstico antes de qualquer decisão

Descobrir uma ascendência sefardita na família é, muitas vezes, o início de uma pesquisa maior. Mesmo que a via sefardita específica esteja encerrada para novos pedidos, ela pode ter revelado uma conexão com Portugal que abre outras portas — como a de filho ou neto de português, que seguem vigentes e não exigem residência no país.

Cada caso tem suas particularidades e começa por uma análise honesta. Se você localizou documentos antigos, tem sobrenomes de origem ibérica ou suspeita de ascendência portuguesa, fale com um especialista antes de tomar qualquer decisão documental. Entre em contato pela página de contato e receba uma avaliação sem compromisso.

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