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AIMA descentraliza julgamentos: processos deixam de ser concentrados em Lisboa

AIMA descentraliza julgamentos: processos deixam de ser concentrados em Lisboa
Fabio Pereira
Artigo deFabio Pereira

Coordenador Comercial, formado em Marketing e especialista em nacionalidade portuguesa e imigração para Portugal. Reside em Portugal desde 2019, unindo conhecimento técnico à experiência prática e ao conhecimento da realidade portuguesa. Integra a equipe da Cidadania e Visto, assessoria especializada com mais de 5.000 processos concluídos e avaliação de 5,0 estrelas no Google.

Os processos AIMA Lisboa descentralização chegaram ao Parlamento português: a reforma da justiça administrativa, debatida na Assembleia da República em 16 de setembro de 2026 e aprovada na generalidade em 18 de setembro, prevê o fim da concentração dessas ações judiciais no Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa. Para brasileiros com intimações em andamento contra a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA), a mudança pode significar processos mais próximos de onde vivem — mas ainda há etapas legislativas a percorrer antes da entrada em vigor.

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Por que os processos AIMA estavam todos concentrados em Lisboa?

A concentração na capital ocorre porque, pela regra atual de competência, a ação corre no tribunal da sede da entidade demandada — e a AIMA está sediada em Lisboa. Por isso, o Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa recebe praticamente todas as intimações de estrangeiros contra a agência.

Os chamados "processos AIMA" são, na maioria, intimações para a proteção de direitos, liberdades e garantias. Cidadãos estrangeiros as utilizam para obrigar a agência a agendar o atendimento ou a decidir o pedido de residência. Até que a reforma entre em vigor, esse tribunal de Lisboa continua a concentrar essas ações.

Desde 2024, o Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa recebe um volume muito grande de processos contra a AIMA. Entre as ações acumuladas estão pedidos de reagrupamento familiar, emissão de títulos de residência e regularização de estada em território português — casos que afetam diretamente milhares de brasileiros residentes no país.

Tentativas anteriores de descentralização dos processos AIMA

A tentativa de mudar esse cenário não é nova. Em fevereiro de 2026, um projeto de lei da Iniciativa Liberal com o mesmo objetivo foi rejeitado no Parlamento. O Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais (CSTAF) tinha dado parecer desfavorável a essa proposta, alertando para o risco de espalhar o problema por outros tribunais do país, segundo o Observador.

Na ocasião, PSD e CDS-PP votaram contra a proposta — os mesmos partidos que sustentam o governo atual. Desta vez, o CSTAF afirmou ter acompanhado e concordado com a proposta do Governo.

O que a proposta de descentralização dos processos AIMA efetivamente muda

Com a reforma, os processos AIMA deixarão de estar concentrados no Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa. Segundo a ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, as ações passarão a ser distribuídas "de acordo com a sede ou a residência do requerente". Dessa forma, a concentração em Lisboa deixa de existir para os novos processos.

A proposta também abre caminho para juízos especializados de imigração e proteção internacional dentro dos tribunais administrativos já existentes. Segundo o Governo, não se trata de criar tribunais novos, e sim de reorganizar competências dentro do sistema judicial em funcionamento.

Os novos juízos ficarão responsáveis por processos relativos à entrada, permanência, saída e afastamento de cidadãos estrangeiros em Portugal. Além disso, abrangerão ações relacionadas com asilo, proteção subsidiária e proteção temporária que sejam da competência dos tribunais administrativos. O pacote prevê ainda formulários obrigatórios padronizados para as ações contra a AIMA, segundo o comunicado do Governo.

Regras para mobilização de magistrados

A proposta também regula a mobilização de juízes entre tribunais, segundo o ECO. Ela pode ocorrer quando existam lugares vagos ou quando o volume, a complexidade ou a antiguidade dos processos o justifique. O texto estabelece, porém, limites.

As alterações dependem, em regra, da concordância do juiz e não podem representar um prejuízo sério para a sua vida pessoal ou familiar. Por fim, devem responder a necessidades de serviço pontuais e transitórias.

Cronograma: o que já foi aprovado e o que ainda depende do Parlamento

Há três momentos distintos nesta reforma. É importante não confundi-los:

  1. 23 de julho de 2026 — aprovação em Conselho de Ministros: o Governo aprovou a proposta para que os processos contra a AIMA passem a ser decididos por tribunais administrativos de todo o país, não somente em Lisboa (DN).
  2. 16 de setembro de 2026 — debate parlamentar: a medida faz parte da reforma da justiça administrativa e fiscal, um pacote de cinco propostas de lei (n.º 98 a 102/XVII). Segundo o ECO, a parte da AIMA está na proposta de lei n.º 98/XVII.
  3. 18 de setembro de 2026 — aprovação na generalidade: as cinco propostas foram aprovadas na generalidade e seguem para a discussão na especialidade, em comissão. Depois vêm a votação final global, a promulgação e a publicação.

Atenção: a proposta ainda não está em vigor. As etapas do processo legislativo podem ser acompanhadas no portal da Assembleia da República. A entrada em vigor depende da aprovação final e da publicação no Diário da República.

A força-tarefa do CSTAF

Paralelamente à reforma legislativa, o CSTAF mobilizou uma força-tarefa de juízes a partir de abril de 2026, prevista para durar cerca de seis meses, em duas fases. Em três meses (abril a junho), foram proferidas 22.436 sentenças — cerca de 18% de um passivo de aproximadamente 124 mil processos, segundo dados do CSTAF divulgados pelo Diário de Notícias.

O ritmo, embora significativo, evidencia a dimensão do desafio. Mesmo com a força-tarefa, o passivo ainda rondava os 100 mil processos quando a segunda fase começou, em setembro.

O que muda na prática para quem tem processo contra a AIMA em Lisboa

Se há uma ação judicial em andamento, ou se está avaliando entrar com uma intimação contra a AIMA, estes são os pontos práticos a considerar agora:

  • Processos já distribuídos em Lisboa continuam em Lisboa enquanto a nova lei não for publicada. Não há redistribuição retroativa confirmada neste momento.
  • Novos processos, após a entrada em vigor da lei, deverão ser apresentados no tribunal administrativo da área de residência do requerente — o que reduz a necessidade de deslocamento a Lisboa.
  • O tipo de ação não muda: continuam sendo intimações para proteção de direitos, como obrigar a AIMA a agendar atendimento ou decidir o pedido de residência. O que muda é a competência territorial.
  • A criação dos juízos especializados pode, em tese, tornar os julgamentos mais rápidos. Contudo, o Sindicato dos Técnicos de Migração considera a descentralização positiva, mas alerta que, sozinha, ela não resolve a causa do volume de processos: as falhas de funcionamento da própria AIMA.
  • Para quem tem Autorização de Residência vencida e aguarda renovação: o processo judicial é um instrumento, não o único caminho. Vale verificar primeiro se há agendamento disponível no portal da AIMA ou se o pedido pode ser feito pelo canal de renovação de autorização de residência.

Quem está em Portugal com visto de residência (como D7 ou D8) e aguarda a concessão da Autorização de Residência deve acompanhar de perto a tramitação dessa proposta. Para o histórico completo, incluindo os detalhes da aprovação em Conselho de Ministros de julho de 2026, leia o artigo sobre a descentralização das ações contra a AIMA aprovada pelo Governo.

O que ainda não está definido sobre a descentralização AIMA

A entrada em vigor da medida depende da conclusão do processo no Parlamento — portanto, ainda não há data confirmada. Depois da aprovação na generalidade, a proposta precisa ser analisada e votada na especialidade, passar pela votação final global e depois ser promulgada e publicada no Diário da República. Cada etapa tem prazo variável, e o calendário legislativo pode ser alterado.

Além disso, a instalação efetiva dos juízos especializados depende de regulamentação e da disponibilidade de magistrados. E o problema não está só nos tribunais: os atrasos no atendimento e na decisão dos pedidos acontecem na própria AIMA. Isso significa que, mesmo com a descentralização judicial aprovada, gargalos administrativos podem persistir.

Para acompanhar as atualizações, as fontes oficiais são:

Também é possível verificar o tema dos juízos especializados em imigração e o impacto para processos contra a AIMA em análise detalhada publicada neste blog.

O passivo acumulado: números que contextualizam a reforma AIMA

Para entender a dimensão da mudança, é necessário conhecer o ponto de partida. A alteração da lei que entrou em vigor em 23 de outubro de 2025 passou a exigir a comprovação da urgência e deixou de isentar essas ações de custas. Segundo dados do CSTAF publicados pelo DN, os novos processos caíram 78%: foram 11.724 em outubro de 2025 e 2.582 em janeiro de 2026.

Apesar da queda nas novas entradas, a resolução de mais de 100 mil casos pendentes continua sendo um desafio significativo. A força-tarefa de juízes mobilizada pelo CSTAF chegou, em média, a cerca de 247 sentenças por dia no segundo trimestre de 2026, segundo o mesmo balanço do conselho. O ritmo é expressivo, mas insuficiente para zerar o passivo em curto prazo. O balanço da força-tarefa está detalhado em outro artigo do blog.

A reforma da justiça que inclui os processos AIMA Lisboa descentralização é, portanto, uma resposta estrutural a um problema que se acumulou por anos. Ela não resolverá os processos pendentes da noite para o dia. Por outro lado, muda a regra que concentrou toda a litigância num único tribunal da capital portuguesa.

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Perguntas Frequentes sobre processos AIMA Lisboa descentralização

O que são os "processos AIMA" e quem pode entrar com um?

São, na maioria, intimações judiciais para proteção de direitos, liberdades e garantias, apresentadas por estrangeiros quando a AIMA não cumpre obrigações legais — como agendar o atendimento ou decidir o pedido de residência dentro do prazo. Desde 23 de outubro de 2025, quem entra com a ação precisa comprovar a urgência do pedido, e a ação deixou de ser gratuita. A avaliação de cabimento é feita caso a caso por um advogado.

A descentralização dos processos AIMA já está em vigor em setembro de 2026?

Não. A proposta foi debatida na Assembleia da República em 16 de setembro de 2026 e aprovada na generalidade em 18 de setembro, mas ainda precisa passar pela especialidade e pela votação final global, e depois ser promulgada e publicada no Diário da República para entrar em vigor. O calendário legislativo pode mudar, por isso vale acompanhar as fontes oficiais.

Se meu processo já está em Lisboa, ele será transferido para o tribunal da minha área?

Não há confirmação de redistribuição retroativa de processos já distribuídos. A regra de competência pela residência do requerente deve aplicar-se, em princípio, às ações apresentadas depois da entrada em vigor da lei; o texto final aprovado é que vai definir o regime de transição. Para esclarecimentos sobre um caso específico, é recomendável consultar um advogado inscrito na Ordem dos Advogados portuguesa.

A descentralização vai acelerar a resolução do meu pedido de residência na AIMA?

A descentralização judicial afeta apenas o tribunal onde correm as ações — não o funcionamento administrativo da AIMA. O agendamento, a análise de pedidos e a emissão de títulos de residência continuam sendo tarefas da agência. O Sindicato dos Técnicos de Migração alertou que, sem resolver as falhas internas da AIMA, a reforma judicial sozinha não resolve o problema de quem espera uma decisão.

Preciso de advogado para entrar com uma ação judicial contra a AIMA em Portugal?

Sim. As ações nos tribunais administrativos portugueses exigem representação por advogado inscrito na Ordem dos Advogados portuguesa. Além disso, desde outubro de 2025 a lei exige a comprovação da urgência para esse tipo de ação e há custas a pagar, o que reforça a importância de uma avaliação jurídica antes de tomar qualquer decisão.

Próximos passos concretos para brasileiros com processos ou pedidos pendentes

Para quem está em Portugal com visto de residência e aguarda regularização, estas são as ações práticas recomendadas agora:

  1. Verificar o status do pedido diretamente no portal da AIMA e confirmar se há agendamento pendente ou documentação em falta.
  2. Guardar todos os comprovantes de protocolo, entrega de documentos e comunicações com a AIMA — esses registros são necessários em caso de ação judicial.
  3. Acompanhar a tramitação legislativa da proposta de lei n.º 98/XVII no portal da Assembleia da República para saber quando a nova regra de competência entrar em vigor.
  4. Consultar um advogado antes de decidir entrar com qualquer ação judicial, especialmente diante da exigência de comprovação de urgência em vigor desde outubro de 2025.

A Cidadania e Visto é uma assessoria em cidadania portuguesa e vistos para Portugal, com advogados inscritos na OAB e na Ordem dos Advogados portuguesa. Cada caso tem suas particularidades — começa por uma análise honesta. Se há uma renovação de Autorização de Residência travada ou dúvidas sobre os próximos passos, entre em contato para uma análise inicial.

Aviso legal

A Cidadania e Visto - Assessoria é uma empresa privada de consultoria documental e imigratória, sem vínculo com consulados ou órgãos governamentais. Não julgamos processos de cidadanias ou vistos, nem representamos governos estrangeiros.

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