Sim, brasileiro pode fazer faculdade de Direito em Portugal — e o processo é mais acessível do que parece. Para o ano letivo 2026/2027, apenas a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa oferece 445 vagas no Concurso Nacional de Acesso, segundo dados da Direção-Geral do Ensino Superior (DGES). Quem não tem cidadania portuguesa pode ingressar via processo seletivo próprio de cada universidade — frequentemente usando a nota do ENEM.
Este guia cobre tudo que você precisa saber: ingresso, visto D4, custo de vida, revalidação do diploma e o trajeto para advogar no sistema jurídico português.
Brasileiro pode estudar Direito em Portugal? O que a lei diz
A resposta é direta: sim. Não existe restrição de nacionalidade para o curso de Direito em Portugal. Diferente do que acontece com Medicina e Medicina Veterinária — que exigem residência prévia de pelo menos dois anos ou cidadania europeia para o Concurso Nacional de Acesso —, o curso de Direito está aberto a candidatos internacionais pelo processo seletivo específico para estudantes estrangeiros.
Cada universidade define seus próprios critérios de admissão para candidatos não europeus. Em geral, o processo funciona por análise curricular e, na maioria dos casos, a nota do ENEM é aceita como critério de seleção. A nota mínima exigida pelo ENEM para a maioria das instituições, incluindo a Universidade de Coimbra para a licenciatura em Direito, gira em torno de 500 pontos (equivalente a 100 na escala portuguesa de 0-200), conforme informações publicadas pelas próprias instituições.
Cabe destacar que, nas instituições públicas, existem bolsas de estudo para alunos de menor renda. Para acessá-las, o candidato geralmente precisa ter o Estatuto de Igualdade e residência regular em Portugal — dois requisitos que andam juntos. Além disso, programas como o Santander Universidades e convênios entre faculdades brasileiras e portuguesas também oferecem oportunidades de financiamento. Acompanhe os editais nos portais das instituições para não perder prazos.
Para quem ainda não sabe se tem direito à cidadania portuguesa, é recomendável fazer uma análise de elegibilidade gratuita antes de definir a modalidade de ingresso.
Modalidades de acesso para brasileiros que querem estudar Direito em Portugal
Existem, na prática, três caminhos de ingresso para um brasileiro sem cidadania europeia:
- Concurso Especial para Estudantes Internacionais: voltado a quem não tem nacionalidade portuguesa nem europeia e não reside legalmente em Portugal há mais de dois anos. É o caminho mais comum. O candidato realiza a candidatura diretamente no site da universidade escolhida, com a documentação pedida em edital.
- Candidatura via nota do ENEM: muitas universidades aceitam o ENEM como critério de seleção. A candidatura ocorre em geral em três fases ao longo do ano (aproximadamente janeiro-fevereiro, março-abril e maio-junho). Para garantir mais vagas e tempo hábil para o visto, a primeira fase costuma ser a mais vantajosa.
- Estatuto de Igualdade de Direitos e Deveres: qualquer brasileiro, maior de idade e residente em Portugal com Título de Residência válido, pode solicitar este estatuto e ser equiparado a estudante nacional. Isso reduz o valor das propinas e abre acesso a bolsas de estudo anteriormente restritas a portugueses. Algumas instituições permitem a mudança de categoria durante o curso; outras, não.
Principais universidades onde o brasileiro pode fazer Direito em Portugal
Portugal tem uma tradição jurídica secular, com faculdades de Direito reconhecidas internacionalmente. Para o ano letivo 2026/2027, a DGES registrou as seguintes vagas no Concurso Nacional de Acesso para o curso de Direito (código 9078) em instituições públicas:
- Universidade de Lisboa — Faculdade de Direito: 445 vagas
- Universidade de Coimbra — Faculdade de Direito: 350 vagas
- Universidade do Porto — Faculdade de Direito: 155 vagas
- Universidade Nova de Lisboa — Faculdade de Direito: 100 vagas
As universidades privadas, como a Universidade Católica Portuguesa, a Universidade Autónoma de Lisboa e o Centro Universitário Lusófona, oferecem vagas através de seus próprios processos seletivos institucionais.
Essas vagas do Concurso Nacional de Acesso destinam-se a candidatos com cidadania portuguesa ou europeia. Para brasileiros internacionais, as oportunidades específicas são definidas por cada universidade em edital próprio. É essencial consultar diretamente o site de cada instituição para verificar o número de lugares disponíveis, os critérios e os prazos atualizados, pois os editais para alunos internacionais variam a cada ano letivo.
A licenciatura em Direito em Portugal tem duração de quatro anos (oito semestres), totalizando 240 créditos ECTS, conforme o modelo de Bolonha. Esse formato é importante para quem planeja, futuramente, fazer uma pós-graduação ou mestrado.
Universidades privadas e diferenciais do sistema
Além das instituições públicas, o sistema de ensino superior português conta com faculdades privadas de reconhecida qualidade. Por exemplo, a Universidade Católica Portuguesa possui tradição consolidada na formação jurídica e atrai estudantes internacionais com programas próprios de seleção.
Portanto, ao escolher a instituição, o brasileiro pode fazer faculdade de Direito em Portugal tanto pelo setor público quanto pelo privado — e cada opção apresenta critérios, custos e perfis distintos. Avalie com atenção os editais antes de se candidatar.
Quanto custa para o brasileiro fazer Direito em Portugal: propinas e custo de vida
Em Portugal, mesmo as universidades públicas cobram uma taxa anual chamada propina. O valor varia conforme a instituição e o perfil do estudante.
- Estudante de país da CPLP (incluindo brasileiros): em média, aproximadamente 2.100 € por ano em universidades públicas, segundo dados compilados para o ano letivo 2026/2027. Isso representa um desconto em relação a outros estudantes internacionais.
- Estudante equiparado a nacional (com Estatuto de Igualdade): propina reduzida, mais próxima dos valores pagos por estudantes portugueses.
- Universidades privadas: os valores são definidos por cada instituição e tendem a ser mais elevados. Consulte os valores atualizados diretamente no site da faculdade escolhida.
Além da propina, o custo de vida mensal de um estudante em Portugal varia, em média, entre 700 € e 1.200 € por mês em 2026, dependendo da cidade. Lisboa e Porto tendem a ter custo de aluguel mais alto. Por outro lado, cidades como Coimbra ou Braga costumam ser mais acessíveis para estudantes.
Sim, de forma significativa. Com a cidadania portuguesa, você ingressa pelo Concurso Nacional de Acesso (sem processo seletivo para internacionais), paga propinas de estudante nacional e dispensa o Visto D4. Além disso, há uma rota mais direta para a filiação à OAP após se formar. O passaporte português também permite o exercício da advocacia em qualquer país da União Europeia. Se você tem pai, mãe, avô ou bisavô português, pode verificar sua elegibilidade antes de planejar o ingresso na faculdade.
Visto D4: como o brasileiro obtém o visto de estudante para Portugal em 2026
Se você tem ascendência portuguesa e ainda não verificou sua elegibilidade para a nacionalidade, esse pode ser o ponto de partida mais estratégico. Com mais de 5.000 processos de cidadania e visto concluídos desde 2019 e histórico de nenhum processo negado, a equipe da Cidadania e Visto faz esse diagnóstico antes de qualquer contrato — sem criar expectativa que não se sustenta.
Uma mudança importante ocorreu em abril de 2026: os pedidos de visto para Portugal passaram a ser 100% presenciais na VFS Global desde o primeiro passo. O envio pelo correio foi extinto. Dessa forma, você precisa organizar toda a documentação com antecedência e agendar atendimento presencial em uma das unidades da VFS Global no Brasil.
Para saber mais detalhes sobre o passo a passo desse processo, veja o guia completo sobre o Visto D4 Portugal 2026 com todos os requisitos e documentos necessários.
Documentos exigidos para o Visto D4
A lista de documentos pode variar conforme o consulado responsável pela sua região. Os itens comumente exigidos incluem:
- Passaporte válido (com validade superior ao período do curso)
- Carta de aceite ou comprovante de matrícula em instituição de ensino reconhecida em Portugal
- Formulário de visto preenchido eletronicamente e assinado
- Certificado de antecedentes criminais apostilado (para maiores de 16 anos)
- Comprovante de alojamento em Portugal (contrato de arrendamento ou termo de responsabilidade de quem o acolhe)
- Comprovante de meios de subsistência — atenção: brasileiros admitidos em instituição de ensino superior estão dispensados desta exigência para o Visto D4, segundo a regulamentação vigente para países de língua oficial portuguesa
- Seguro de saúde válido em Portugal
- Fotografia recente no padrão exigido
- Pagamento das taxas consulares e da VFS Global
Atenção: os documentos precisam estar completos, válidos e coerentes entre si. A VFS não aceita processos incompletos — o candidato precisaria remarcar e aguardar nova data, o que pode comprometer o início do ano letivo. Confirme sempre a lista de documentos atualizada diretamente no portal vistos.mne.gov.pt e no site da VFS Global antes de agendar.
Prazos e custos do Visto D4
O tempo médio de análise informado pela VFS Global é de 60 a 90 dias após a entrega presencial dos documentos, podendo variar conforme o volume de pedidos e eventual solicitação de documentação complementar. Não compre passagem aérea antes de receber a aprovação do visto.
Em relação ao custo, as taxas são fixadas em euros e sofrem variação cambial. Em fevereiro de 2026, o pedido do Visto D4 girava em torno de R$ 868,60, segundo dados da VFS Global. Contudo, esse valor precisa ser conferido diretamente no site da VFS no momento do agendamento, pois se atualiza conforme a cotação do euro.
Após a aprovação do visto, o trabalho não termina. O Visto D4 tem validade de 120 dias — esse é o período para entrar em Portugal. Em seguida, você precisará solicitar a Autorização de Residência (AR) junto à AIMA — Agência para a Integração, Migrações e Asilo (aima.gov.pt). Os prazos de agendamento na AIMA variam e o candidato deve confirmá-los diretamente no site oficial.
Uma boa notícia para quem pensa no longo prazo: o Visto D4 permite residência legal em Portugal durante os estudos. Após cumprir o tempo mínimo de residência contínua exigido pela legislação vigente, é possível solicitar a naturalização portuguesa. Ou seja, estudar Direito em Portugal pode ser também o início de um planejamento migratório mais amplo.
Para estudantes que pretendem trazer cônjuge ou filhos, existe ainda o Visto de Acompanhante de Titular, que permite o reagrupamento familiar para dependentes do titular do visto de estudante.
Revalidação do diploma de Direito: brasileiro em Portugal e vice-versa
Este é um ponto que gera muita confusão — e merece atenção redobrada. As regras são diferentes dependendo da direção: diploma brasileiro em Portugal, ou diploma português no Brasil.
Diploma brasileiro em Portugal
O Direito é uma profissão regulamentada em Portugal. Isso significa que, para exercer a advocacia com o diploma brasileiro, você precisa, primeiro, obter o reconhecimento da licenciatura em Direito por uma universidade pública portuguesa — conforme informação da própria Ordem dos Advogados de Portugal (OAP).
Em Portugal, o processo de reconhecimento de diplomas estrangeiros de ensino superior passou por reformas importantes. A legislação vigente prevê três modalidades de reconhecimento, segundo a DGES:
- Reconhecimento Automático: para diplomas cujo grau, objetivos e natureza são idênticos aos portugueses (licenciatura, mestrado, doutoramento). O prazo máximo é de 30 dias após instrução completa do processo.
- Reconhecimento de Nível: reconhecimento por comparação, verificando se o diploma estrangeiro corresponde a um grau português em termos de nível acadêmico. Prazo máximo de 90 dias.
- Reconhecimento Específico: reconhecimento na mesma área científica, mais detalhado. Prazo máximo de 90 dias, podendo ser maior em análises complexas.
O pedido é realizado online, dirigido a uma universidade pública portuguesa que ofereça o mesmo curso. O primeiro passo prático é o apostilamento do diploma e do histórico escolar ainda no Brasil — a Apostila de Haia valida a autenticidade dos documentos brasileiros no exterior.
Diploma português no Brasil
Se você conclui a licenciatura em Direito em Portugal e quer exercer a advocacia no Brasil, precisará revalidar o diploma em uma universidade pública brasileira. O Ministério da Educação (MEC) deixa claro que o Brasil não possui acordos de revalidação automática com nenhum país — inclusive Portugal.
O processo é conduzido por universidades federais e estaduais credenciadas, que analisam o currículo cursado e podem exigir provas ou disciplinas complementares. O prazo para a universidade se manifestar é de até 180 dias na tramitação regular, ou até 60 dias na tramitação simplificada, conforme regulamentação do MEC. A plataforma oficial para submissão é a Plataforma Carolina Bori, disponível no site do governo federal.
Uma diferença importante: o diploma de graduação em Direito obtido em Portugal tem quatro anos de duração e 240 créditos ECTS. Isso pode influenciar a análise da universidade brasileira na comparação curricular. Verifique com antecedência qual universidade federal da sua área tem histórico de revalidação de diplomas de Direito obtidos em Portugal.
Advogar em Portugal sendo brasileiro: o que mudou em 2023 e como está em 2026
Esta é a parte mais sensível do guia — e a que mais mudou nos últimos anos. Em julho de 2023, a Ordem dos Advogados de Portugal (OAP) suspendeu unilateralmente o acordo de reciprocidade que existia com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), segundo comunicado da própria OAP. Antes desse acordo, profissionais brasileiros inscritos na OAB podiam requerer inscrição na OAP de forma simplificada, sem necessidade de revalidar o diploma. Essa via foi encerrada para novos profissionais.
A decisão não afetou os advogados brasileiros já inscritos na OAP ou que estavam em processo de inscrição na época. Para novos profissionais que chegam a Portugal após a suspensão, o cenário atual é o seguinte:
- Reconhecimento do diploma: é necessário obter o reconhecimento da licenciatura em Direito por uma universidade pública portuguesa, conforme regras da DGES.
- Inscrição na Ordem dos Advogados de Portugal: após o reconhecimento, o advogado pode submeter o pedido de inscrição na OAP. A taxa de inscrição para advogados brasileiros e de países com regime de reciprocidade é de 300,00 €, segundo o portal oficial do governo português (gov.pt). A cédula profissional tem validade máxima de cinco anos.
- Estágio ou exame: dependendo da análise do caso concreto, a OAP pode exigir estágio supervisionado ou avaliação de conhecimentos do direito português.
Para quem estuda Direito diretamente em Portugal e se forma por uma universidade portuguesa, o processo de inscrição na OAP segue as mesmas regras aplicadas a qualquer formando em Direito no país. Essa rota tende a ser mais direta do que o reconhecimento de diploma estrangeiro.
Uma alternativa estratégica: advogados brasileiros que obtêm a cidadania portuguesa — por descendência, casamento ou naturalização — passam a ter acesso à advocacia europeia por outra via, abrindo possibilidades sob a Diretiva europeia que regulamenta o exercício da profissão entre países da UE. Isso torna a conquista da cidadania portuguesa especialmente relevante para profissionais do Direito com planos de carreira em Portugal ou na Europa.
Para quem já tem a cidadania portuguesa e quer entender como acelerar esse processo, a Cidadania e Visto é uma assessoria jurídica especializada em cidadania portuguesa e vistos para Portugal que entrega processos de cidadania em até 18 meses (média do mercado: 4 anos), com advogados na OAB Brasil e OAP Portugal — incluindo a cédula OAP 67514P.
Cidadania portuguesa: vantagens no ingresso à faculdade de Direito e na carreira jurídica
Para estudantes e advogados brasileiros com ascendência portuguesa, conquistar a cidadania portuguesa antes de se mudar pode simplificar toda a trajetória: do ingresso à universidade até o exercício da profissão.
Com a cidadania portuguesa, você:
- Compete pelo Concurso Nacional de Acesso como estudante nacional (sem o processo seletivo para internacionais)
- Paga propinas no valor de estudante nacional, geralmente mais baixas
- Dispensa o Visto D4 — pode entrar e residir em Portugal livremente
- Acessa bolsas de estudo destinadas a estudantes portugueses
- Tem um caminho mais direto para a inscrição na OAP após a conclusão do curso
- Pode exercer advocacia em qualquer país da União Europeia
Se você tem pai, mãe, avô ou avó português(a), convém verificar sua elegibilidade antes de planejar o ingresso em uma faculdade de Direito em Portugal. O processo de nacionalidade por filho de português é a via mais direta. Em muitos casos, a conclusão ocorre antes mesmo de o candidato iniciar a graduação, dependendo dos prazos e da documentação disponível.
Para descendentes de avós portugueses, existe o processo de nacionalidade por neto de português, que também abre essa possibilidade. Cada caso tem suas particularidades. Por isso, o ponto de partida é sempre uma análise honesta do perfil — e, para entender qual via se aplica ao seu caso, você pode fazer o teste gratuito de elegibilidade para cidadania portuguesa.
Passo a passo: como o brasileiro faz faculdade de Direito em Portugal
- Verifique sua elegibilidade para cidadania portuguesa (se tiver ascendência lusa). Se for elegível, iniciar o processo antes do ingresso pode facilitar toda a trajetória acadêmica e profissional.
- Escolha a universidade e o edital. Acesse o site de cada faculdade de Direito e confira os requisitos do processo seletivo para estudantes internacionais ou pelo ENEM. A candidatura costuma ter três fases ao longo do ano, sendo a primeira fase a mais vantajosa em vagas e tempo para visto.
- Obtenha a carta de aceite. Este é o documento fundamental — sem ele, o Visto D4 não pode ser solicitado.
- Providencie a documentação para o Visto D4. Inclui antecedentes criminais apostilados, comprovante de alojamento, seguro de saúde e demais documentos exigidos pela VFS Global. Confirme a lista atualizada em vistos.mne.gov.pt.
- Agende e compareça presencialmente à VFS Global. Desde abril de 2026, o processo é 100% presencial. Agende com antecedência e leve toda a documentação completa.
- Aguarde a análise (60 a 90 dias em média) e não compre passagem aérea antes da aprovação.
- Ao chegar em Portugal, solicite a Autorização de Residência na AIMA dentro do prazo estabelecido pelo visto (120 dias de validade inicial).
- Após seis meses de residência, solicite o Estatuto de Igualdade de Direitos e Deveres para reduzir as propinas e acessar bolsas destinadas a estudantes nacionais.
- Ao se formar, inicie o processo de inscrição na OAP se quiser advogar em Portugal, ou o processo de revalidação no MEC se quiser retornar ao Brasil.
Perguntas Frequentes sobre Faculdade de Direito em Portugal para Brasileiros
Brasileiro pode fazer faculdade de Direito em Portugal sem cidadania portuguesa?
Sim. Não há restrição de nacionalidade para o curso de Direito em Portugal. Sem cidadania portuguesa ou europeia, o candidato concorre via processo seletivo específico para estudantes internacionais, utilizando a nota do ENEM ou outros critérios definidos pela universidade. A nota mínima exigida pelo ENEM costuma ser em torno de 500 pontos na maioria das faculdades. Com cidadania portuguesa, o ingresso é pelo Concurso Nacional de Acesso — o mesmo utilizado por estudantes portugueses.
Qual visto preciso para estudar Direito em Portugal?
Para cursos com duração superior a 12 meses — como qualquer licenciatura de quatro anos em Direito —, a autorização migratória necessária é o Visto D4 (Visto de Residência para Estudos). O pedido é feito presencialmente na VFS Global no Brasil, com agendamento prévio. Desde abril de 2026, não é mais possível enviar a documentação pelo correio. O tempo médio de análise é de 60 a 90 dias após a entrega completa dos documentos, segundo a VFS Global.
Quanto custa estudar Direito em Portugal sendo brasileiro?
As propinas (mensalidades/anuidades) para estudantes brasileiros em universidades públicas portuguesas giram, em média, em torno de 2.100 € por ano no ano letivo 2026/2027, com possíveis descontos por pertencer à CPLP. Universidades privadas têm valores próprios — consulte diretamente o site da instituição. Além disso, o custo de vida mensal varia entre 700 € e 1.200 € em média, dependendo da cidade. Após obter o Título de Residência válido, é possível solicitar o Estatuto de Igualdade e pagar propinas de estudante nacional, geralmente mais baixas.
Um advogado brasileiro pode advogar em Portugal com a OAB?
Não de forma direta. Em julho de 2023, a Ordem dos Advogados de Portugal suspendeu o acordo de reciprocidade com a OAB, que permitia o ingresso simplificado na OAP. Para novos profissionais, o percurso atual exige o reconhecimento do diploma de Direito brasileiro por uma universidade pública portuguesa e, em seguida, o pedido de filiação à OAP — que pode incluir estágio ou avaliação complementar. A taxa de admissão para brasileiros na OAP é de 300 €, conforme o portal gov.pt. Quem se forma em uma instituição portuguesa segue as mesmas regras aplicadas a qualquer formando no país.
O diploma de Direito obtido em Portugal tem validade no Brasil?
Não automaticamente. O diploma de uma instituição portuguesa precisa ser revalidado por uma universidade pública brasileira credenciada pelo MEC para ter validade para exercício profissional regulamentado no Brasil. O país não possui acordos de revalidação automática com nenhuma nação estrangeira, inclusive Portugal. O pedido é feito pela Plataforma Carolina Bori, e o prazo de análise pode ser de até 180 dias na tramitação regular ou até 60 dias na tramitação simplificada, conforme o MEC. A instituição deve oferecer o mesmo curso ao qual o diploma se refere.
Ter cidadania portuguesa facilita estudar e trabalhar como advogado em Portugal?
Sim, de forma significativa. Com a cidadania portuguesa, você ingressa pelo Concurso Nacional de Acesso (sem processo seletivo para internacionais), paga propinas de estudante nacional e dispensa o Visto D4. Além disso, você tem um caminho mais direto para a inscrição na OAP após se formar. A cidadania portuguesa também permite o exercício da advocacia em qualquer país da União Europeia. Se você tem pai, mãe, avô ou bisavô português, pode verificar sua elegibilidade antes de planejar o ingresso na faculdade.
Como o ENEM é usado para entrar em uma faculdade de Direito em Portugal?
Muitas universidades portuguesas aceitam a nota do ENEM como critério de seleção para estudantes brasileiros que se candidatam pelo processo especial para internacionais. A candidatura é feita diretamente no site da universidade, em geral em três fases ao longo do ano (aproximadamente janeiro-fevereiro, março-abril e maio-junho). A nota mínima exigida varia por instituição, mas costuma girar em torno de 500 pontos. A candidatura pela primeira fase é recomendada por oferecer mais vagas e mais tempo para organizar o visto. Estudantes com cidadania portuguesa não usam o ENEM — eles concorrem pelo Concurso Nacional de Acesso da DGES.
Próximo passo: planeje sua ida com segurança jurídica
Estudar Direito em Portugal é um projeto com múltiplas variáveis: processo seletivo, visto, custo de vida, revalidação do diploma e, eventualmente, exercício da advocacia. Cada decisão tomada no início — incluindo se você vai como estudante internacional ou como cidadão português — impacta diretamente o custo, o prazo e as possibilidades de carreira ao final do curso.
Se você tem ascendência portuguesa e ainda não verificou sua elegibilidade para a cidadania, esse pode ser o ponto de partida mais estratégico. Com mais de 5.000 processos de cidadania e visto concluídos desde 2019 e histórico de nenhum processo negado, a equipe da Cidadania e Visto faz esse diagnóstico antes de qualquer contrato — sem criar expectativa que não se sustenta.
Fale com um especialista pelo formulário de contato e entenda qual caminho faz mais sentido para o seu caso.
As informações contidas neste artigo têm caráter exclusivamente informativo e educacional, não constituindo consultoria jurídica individualizada. Cada caso de cidadania portuguesa ou visto para Portugal possui particularidades específicas que podem alterar significativamente os requisitos, prazos e procedimentos aplicáveis.

